13 setembro, 2014

Um amor pela metade

Dizem que um grande amor nunca se esquece.


O que fica, então, de um amor vivido pela metade? O que sobra de um meio amor? Duplicam-se as sensações numa só alma, é o dobro da angústia, da agonia, resta a mágoa das memórias que não foram.


Que amor subsiste num coração que bate na distância, que quebra na nascença da ausência, morre na solidão que lhe merece? O autêntico, o supremo, aquele amor, o que vive das lágrimas perdidas no silêncio, do sangue derramado nas paredes de um quarto vazio e sem tecto.


Onde está o céu que se contempla de uma cama sem lençóis amarrotados? Não há pétalas de rosa em seu redor, as velas apagam-se na fuga do frio do soalho entorpecido pelos passos da demora.


Morrem as estrelas sorridentes numa madrugada quente de Setembro, são agora fantasmas do infinito.

                                                                                                                                                                                                    


1 de Setembro de 2014

5 comentários:

  1. O que fica então dessa metade, desse meio??
    Diria que fica o sonho, a fantasia... viveremos então de sonhos eternamente!
    adorei, muito mesmo, as tuas palavras são verdadeira poesia...
    beijo no coração

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    1. Fica o vazio.. mas os sonhos, esses, nunca morrem..
      Obrigada, minha querida closet, pelas tuas palavras sempre doces :)
      Beijo na alma

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  2. Joni Baltar22/03/15, 11:30

    Permita-me, expressar-me poeticamente:

    Epiderme da Alma

    Na gestação do pensamento
    respira o delíquio sonho.
    O aroma da madrugada,
    agoniza-se no prolixo da noite,
    impregnado de expectantes oásis.

    Nas varandas das minhas pupilas
    instalam-se as paisagens do teu corpo.
    Perfumadas pelas minhas mãos,
    sempre que viajas na minha mente.

    No céu escancarado
    escondem-se as nuvens
    que não passam nas várzeas
    das perdidas consciências.
    Jorram perpétuos desejos,
    coalham-me a epiderme da alma,
    trespassam a intrepidez do meu sonho
    num absorto e perdido Amor.


    Joni Baltar



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    1. Obrigada pela visita e pelo belo poema que me deixou..

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    2. Saudações poéticas : )

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