25 setembro, 2018

Untitled

Quero escrever e não consigo. Eu, que sempre me movi nas palavras, adormeci no vazio do papel em branco e acordei no esquecimento de uma contadora de histórias.


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(Eu no lançamento do meu livro há 4 anos atrás; foto do meu primo Guilherme Pinto transformada em desenho)

15 maio, 2018

Até um dia, velho amigo

Há nove anos atrás pedi que voltasses depressa para nós:


 


Perdeste-te nos dias e ficaste do outro lado da vida. Não sei se voltas.


Fico deste lado entre lágrimas e sorrisos. São lembranças dos tempos de outrora que não se repetem. Passam os anos, separam-se as gentes da terra que nos viu crescer.


Onde ficámos nós? Afectos conquistados, laços construídos, momentos partilhados deixados para trás. Abro o álbum de fotografias e sinto uma angústia quase insuportável. As lágrimas caem e a alma dói. São vidas separadas por um destino incerto, viagens marcadas para lugares diferentes.


E choro. Choro por ti e por quem te guarda no coração. Choro, porque não consigo alcançar um sinal de esperança. E morrem os dias na agonia de nada poder fazer.


Tens de voltar, tens de viver. Há tanto que ainda tens por sonhar.


Espero o teu regresso, acendo uma vela e rezo por ti. Nas minhas preces reclamo o teu nome, imploro a tua vida.


 


Mas não regressaste, ficaste no intervalo, e hoje foi o dia do último adeus. Voltaram as memórias e são tantas, tantas, tantas. Vou guardá-las junto à saudade.


Espero que possas, finalmente, descansar.


a um velho amigo

29 abril, 2018

Dança, sonho meu

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O meu sonho era dançar até sempre. O sonho da dança ritmada dos corpos, dos movimentos suavemente compassados e incessantes. Estender-me num palco de emoções corporais, soltar-me por entre uma agitação lenta dos sentidos. Elevar-me na fantasia das pulsações harmoniosas de uma dança eterna. Levitar.


Mas o destino não quis e ainda hoje choro pela ausência da dança, sonho meu.


Sonhar a dança, existir na dança, viver a dança. Perdi-a, mas continuo a sonhá-la. Não lhe pertenço, mas ela existe em mim. Deixei de vivê-la mas subsiste cá dentro, bem no fundo da minha alma.


E pela perda desta essência de mim, por este sonho que não alcancei, não sei se existo ou se existi, não sei se estou viva ou se morri.


 


(Texto criado em 21 de Abril de 2009 a partir de um poema elaborado em 3 de Novembro de 2007)

23 abril, 2018

do Dia Mundial do Livro

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A minha alma é imensamente livre. É nos momentos em que pincelo de letras as folhas em branco que sinto a essência da verdadeira liberdade. E isso ninguém me pode tirar.

12 março, 2018

Da distância

Disseste que o Ribatejo libertava os teus sentidos mais profundos, quem sabe proibidos, e que aqui eras feliz. 


Em Lisboa passa o Almonda que te corre na alma e tu, na tua irreverência, deixas para trás o teu Tejo e voltas com um sorriso, aquele que fizeste despertar nas gentes da minha terra. Tanto de ti ficou guardado em cada lugar que passaste, pedaços teus são tão nossos também.


A distância não separa corações ao alto, a ausência não dissipa amizades construídas de momentos partilhados e agora, sempre que vens, trazes contigo o teu Tejo e levas pedaços de Almonda no teu regresso.

04 março, 2018

Serão frente à TV

Depois de alguma ausência por motivos alheios à nossa blogosfera, venho pronunciar-me sobre o acontecimento da noite de hoje na rtp1.


Não gosto de fazer críticas destrutivas sobre o que quer que seja mas, no meu ponto de vista, há uma música que poderá (ou poderia) ser merecedora de ganhar o Festival da Canção. E é ela a número 1, interpretada por Rui David.


Sendo assim, tirando a música 'Sem medo' composta pelo nosso grande Jorge Palma, quase todas as outras canções foram uma tentativa de 'chegar aos calcanhares' de Salvador Sobral e da sua maravilhosa interpretação. Porque as restantes são, como diria, patati patatá? Enfim...


Achei o guarda-roupa e os penteados dos intérpretes de muito mau gosto, mas isso é uma opinião pessoal e gostos não se discutem. Sobre os apresentadores?, gosto muito do Pedro Fernandes mas prefiro vê-lo no Brainstorm e em relação à Filomena Cautela prefiro não me adiantar muito, porque tornar-me-ia numa pessoa grosseira. Mas a moça, quando fala, parece que vai apanhar o comboio e acha-se muito engraçada. Deve ser por ter ficado 'rainha e senhora' do 5 para a meia-noite. Faltam lá os rapazes, sinceramente.


E patati patatá. Tristeza. Bem, siga.


Nunca se repetirão interpretações como a Simone de Oliveira com 'Sol de Inverno' e 'Desfolhada Portuguesa', Tonicha com 'Menina do Alto da Serra', Paulo de Carvalho com 'E depois do Adeus', Dulce Pontes com 'Lusitana Paixão', Sara Tavares com 'Chamar a Música' e, claro, Salvador Sobral com 'Amar pelos Dois'. 


Que ganhe, então, o Rui David porque é uma música mesmo à Jorge Palma. Genuína, verdadeiramente portuguesa.


A seguir vou ver os Óscares, que não são mais do que outra 'politiquice manhosa' e, normalmente, quem ganha não é quem deveria ser o(a) verdadeiro(a) merecedor(a) da estatueta, salvo raras excepções.


 


16 fevereiro, 2018

Do silêncio

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(Eu pela minha irmã ónix)


 


Há silêncios necessários mas que esmagam devagar. Para apaziguarem a minh' alma...? As árvores do jardim e o curso vagaroso das águas do rio da minha cidade.

15 janeiro, 2018

Gosto que me chames pelo nome

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(imagem retirada de: google imagens)


 


Esperei-te na despedida do nosso último Verão, o Outono tinha chegado antes de tempo, mas tu não vieste. As gaivotas gritaram em sinal de tempestade, o mar cantou com elas elevando as suas ondas, bem ao alto, e todos fugiram menos eu.


Continuei a esperar-te enquanto lia a carta que deixaste à beira mar junto à guitarra que sempre tocaste, tão melodiosas as tuas rumbas flamencas, nela estava marcado o teu último adeus.


 


Não quero acordar, tenho medo de não voltar a sonhar contigo, afinal só te vejo quando durmo e consigo ouvir-te chamar pelo meu nome. Gosto que me chames pelo nome, gosto que me olhes no silêncio que vem depois, quando entras nas minhas fantasias. Mesmo que não sintas o que quero, há uma história que se inventa e eu descubro. Vem mais vezes assim, em ilusão, vem para me amar mesmo que esse amor seja mentira, mesmo que se apague ao despertar. Gosto que me chames pelo nome. Assim acredito que estás perto, mesmo que a preto e branco nas sombras da utopia.


Os cálices estão cheios e espalham-se pelos atalhos do meu sonho, esperam pela marca dos nossos dedos, estão sedentos pelos lábios que secaram na ausência. São tantos os brindes à nossa história que nos esperam, são tantas as promessas. Há garrafas que guardámos para momentos especiais, quem dera darmos as mãos nas madrugadas a chorar, embebermo-nos em palavras por versejar. Consigo ouvir a tua voz sussurrar-me ao ouvido 'gosto do cheiro da tua pele' e depois? Depois, roubas-me em eco um beijo eterno.


Não sei se consigo sobreviver nas alvoradas, os sonhos não se realizam, tu sabes, mas desperto de uma quimera que se repete a cada noite e tu não estás, nunca estiveste, nunca estarás. Maldito amor que não existe, terrível destino incontornável, declarou-se na ruína das palavras. Levem-me daqui antes que sequem as águas do meu mar.


 


Ainda hoje espero por ti na despedida e chamo-te pelo nome, mas tu não me ouves nem sequer sabes que existo e eu parto para outro lugar onde não estejas, adormeço desta vez na ânsia de esquecer-te mas volto a sonhar. Contigo, sempre contigo a surgires sem aviso do nosso último Verão e a chamares-me pelo nome. Gosto que me chames pelo nome.


Não quero acordar, quero sonhar para viver-te mesmo que incompleto e deixar-me ir nesta magia. Depois podes ir e não voltar.


 


escrito em 25 de Setembro de 2015 e agora alterado