23 dezembro, 2009

Natal 2009=Natal 2008

 


Eis o que escrevi o ano passado sobre o Natal e transcrevo agora, porque a inspiração é pouca, o tempo é escasso e o sentimento idêntico.


 


15 de Dezembro de 2008, 23:21.


Ainda não falei sobre o Natal este ano. Afinal, já estamos nesta época festiva e a noite da verdadeira união familiar está quase a chegar.


Sinceramente, o Natal não me diz grande coisa a não ser que gosto do cheiro da época, aquele que se sente no ar nas vésperas do 25 de Dezembro. E as famílias unem-se. Ou fazem para que isso aconteça.


Não nos esqueçamos, no entanto, de todos aqueles que nada têm. Dos que não têm família, dos que não têm amigos, dos que não têm ninguém.


Quando vejo a agitação das pessoas nas ruas iluminadas de efeitos natalícios, a olharem para as montras cheias de coisas boas para comprar, imagino quem não pode fazê-lo. As lojas atulhadas de gente que se atropela, para conseguir isto ou aquilo antes que esgote, transmite-me um certo sentimento de revolta.


Isto faz-me lembrar cada criança que, ao passar na rua, pára em frente a uma vitrina com brinquedos ou a uma pastelaria cheia de doces e ali fica, a olhar para o que não pode ter. E permanece parada, porque não pode entrar.


É por isto que o Natal não tem muito significado para mim. Por outro lado, há a partilha da família. O estar perto de quem se ama verdadeiramente.


 


E aqui vos deixo o meu desejo, aquele que tenho vindo a demonstrar em palavras de há dois anos para cá. Para além de ser dirigido aos que me lêem, é dedicado a todos os que não podem ter um Natal melhor.


 


Que os vossos desejos


venham embrulhados de saúde


e envoltos em laços de carinho...


Que vos seja permitido acreditar


na realização dos vossos sonhos...


...dia após dia...


 


Feliz Natal para todos!


 


 

15 dezembro, 2009

PLÁGIO. Até quando?

 


Um dia, há bem pouco tempo, deixei um comentário a este texto da amiga Ennoea no seu blog  O Rosto e a Máscara, depois de ter lido este post aquando da sua revolta perante o conhecimento que teve ao ter sido alvo de plágio.


Acreditem que hoje sinto o mesmo depois de ter descoberto, através do copyscape, que agarraram neste texto que EU ESCREVI em 21 de Junho de 2009 para a Fábrica de Histórias e aparece agora neste blog datado de 20 de Outubro de 2009, neste outro com data de 6 de Setembro de 2009 e até neste fórum há dois meses atrás (sem data).


 


A cópia:


O Silencio das Palavras


S£ntidos


Fórum


 


Repito e volto a repetir, tal como o fiz aqui:


Crimes desta natureza têm de ser banidos, sinto-me na obrigação de 'gritar' que há quem copie de forma fraudulenta os trabalhos que são nossos.


Então, afinal, nós escrevemos e os outros é que subscrevem as nossas palavras? Sabemos lá nós por onde 'andam os nossos blogs'?


É lamentável e revoltante criar um espaço próprio e existirem pessoas capazes de copiar o que não lhes pertence, não dando crédito ao verdadeiro autor e, para além disso, alterar os textos originais.


Uma total falta de respeito para comigo, neste caso, e para com o que escrevo. Como é possível tanta falta de integridade? Tanta falta de honestidade?


A todas as pessoas vítimas de plágio, eu também faço parte dessa injustiça! Ou pior, crime! Os plagiadores têm de ser denunciados! E fiquem os mesmos a saber que, mais cedo ou mais tarde, são descobertos e os seus nomes podem vir a ser divulgados. E mais acções poderão ser postas em prática! Respeito às obras e aos seus autores! Há que lutar contra este crime!


 


Há que tomar medidas, certo?


 

09 dezembro, 2009

Reencontro

 


Querido Duarte,


 


Queria escrever-te mais uma carta mas, desta vez, sem falar de corações destroçados, de sentimentos desencontrados. Queria escrever-te uma carta, sim, mas construída de palavras doces e coloridas, sem mágoas e lágrimas.


Não quero histórias sobre confissões do que senti por ti, dos gritos silenciosos de um amor que durou demasiado tempo, tanto que não sei quanto. Não quero histórias que ficaram entre o partir e o ficar, sem princípio, meio e fim.


Sabes? Gostaria de falar-te de outras coisas. De sonhos, de desejos, de fantasias que foram preenchendo as horas dos meus dias.


Gostaria de falar-te da beleza que ficou por descobrir, dos passeios que ficaram por concretizar, do tanto que tivemos por inventar, das coisas mais simples da vida que deixámos por partilhar.


Queria dizer-te, até, que poderíamos ter alcançado o inatingível. Sabes que através dos sonhos tudo se torna possível? O nosso imaginário consegue chegar até onde a nossa alma nos levar. E tudo se torna tão bonito.


Posso contar-te que, juntos, já caminhámos à beira mar numa praia deserta, contemplámos o por de sol num fim de tarde de verão sentados na areia. Mergulhámos, lado a lado, numa onda branca e conseguimos chegar perto dos mais belos corais no fundo do mar. Depois de admirarmos um mundo de mil cores onde se respira natureza pura, nadámos de mãos dadas até à superfície dos oceanos. Para lá das águas cristalinas, sentimos o sol de um dia acabado de nascer que nos iluminou o rosto. Lembras-te da nossa dança na praia? Aquela que ficou por inventar? Conseguimos ondular os nossos corpos e enlaçámo-nos numa agitação lenta dos sentidos. À nossa volta, o som do mar cruzou-se com o cântico das gaivotas e, antes de partirmos, desenhámos o nosso nome na areia. Sabes? Ainda sinto o sabor a sal que ficou na nossa pele.


Juntos, percorremos estradas limpas e frescas, caminhámos devagar por entre montes e vales, saltámos nas pradarias. No final, descansámos abraçados debaixo de uma árvore no bosque secreto que guardou os nossos beijos. Consegues sentir o aroma das flores campestres? Tenho uma guardada nas páginas do livro que escrevi para ti.


Gostaria de falar-te do quanto acreditei que tudo poderia ser possível. Da esperança de ver-te chegar com uma rosa vermelha na mão e um brilho no olhar. Dos teus braços abertos para me levarem até ao mais alto dos rochedos e, de lá, admirar contigo a mais sublime das paisagens. Das semanas a viver-te por completo, dos meses de partilha, dos anos a teu lado com sorrisos.


Queria pegar nas palavras que te escrevi e declamar-tas num poema eterno. Queria recitar-te, num cenário de neve a cair numa noite de dezembro, o que a minha alma viveu por nós.


Gostaria finalmente de confessar-te que, ao reencontrar-te, senti confiança. Coragem para gastar a minha voz num grito e exclamar, de coração aberto, que renasceu a minha capacidade de lutar. Lutar, mas desta vez, por mim. Porque agora, mais do que nunca, quero recuperar a minha liberdade. A de ser feliz. Concedes-me esse direito?


 


Laura


 

29 novembro, 2009

Queres saber uma coisa?


(Palavras para uma imagem)


 


Queres saber uma coisa?


Queria pintar de arco íris a nossa infância. Vens comigo?


Vamos pincelar de azul o cinzento dos dias e transformar os pingos da chuva em gotas de prata.


Consegues avistar a floresta lá ao longe? Está pintada de verde e se subirmos à cabana feita de madeira que está na árvore que é só nossa conseguimos, lá do alto, sentir o cinzento das nuvens transformar-se em rosa e podemos ver pedaços de um sol que se retira para adormecer. Os pássaros estão escondidos pelo medo do tempo. Vamos ao seu encontro e pedir-lhes que nos ensinem a voar?


Sabes uma coisa? Gosto de estar aqui contigo. Tu, que tens os traços tão diferentes dos meus e que, ao mesmo tempo, és tão igual a mim.


Vamos lançar ao vento o guarda-chuva que nos ampara, tirar os chinelos dos pés e saltitar descalços por esta terra molhada que nos oferece um cheiro doce e alimenta os nossos sentidos?


Vens comigo sentir a chuva cair sobre a nossa pele? Parece água morna que vem do céu e nos ajuda a chapinhar nas poças do caminho que nos leva ao esconderijo que nos espera. De lá, conseguimos admirar o verde da erva que enfeita a berma da estrada.


Sabes? Aqui, não tenho frio e contigo não me sinto só. Um dia, encontrámo-nos e conhecemo-nos. Agora, damos as mãos todos os dias e brincamos juntos. Sabes que, à noitinha, consigo ver a lua espreitar por entre as nuvens que pintam o céu de branco? Não sentes o mesmo?


Aqui, neste lugar onde vivemos, misturam-se pedaços de cada ponto do mundo. Aqui, não existem diferenças, não há medos. Aqui, sente-se um cheiro a liberdade.


Queres saber uma coisa? A nossa cor de pele é tão diferente, mas as nossas almas são tão semelhantes. São cristalinas.


 


 


(Texto escrito para a Fábrica de Histórias)

20 novembro, 2009

Perguntas sem resposta ou o Mistério da Vida

 


Tantas vezes gostaríamos de voltar atrás e trazer os tempos de outrora connosco, mas não podemos mudar o curso da vida. Insistimos em voltar ao passado, porque nos é difícil interiorizar que não conseguimos voltar a viver o que não se repete nem podemos alterar o que gostaríamos que tivesse sido diferente. Porque, efectivamente, existem coisas impossíveis e essa é uma delas.


Mas, por vezes, os nossos sentidos estão acima da prudência e mergulhamos num turbilhão de emoções difíceis de conter. Rumamos em direcção ao que não queremos para nós, porque o que nos invade é o medo de que o amanhã não exista. Neste caso, é preferível parar do que dar um salto para o desconhecido.


É querermos viver o momento e desejarmos que o tempo pare a todo o custo, não importa se é certo ou errado, tamanha é a entrega. O relógio continua no seu compasso apressado, mas o mundo lá fora deixa de existir. Porque é nessa prisão que se liberta um coração e o resto não interessa.


E queremos que tudo volte a acontecer para vivermos os mesmos sentidos, da mesma forma. É a intensidade dos momentos que nos marcam para sempre e deixam saudade. E tudo se repete na nossa memória, porque agora já não estamos no mesmo lugar. Mas, tantas vezes, voltamos lá para (re)viver tudo outra vez.


Queríamos nós que a razão falasse mais alto, mas ainda há corações que continuam a bater acelerada e descompassadamente. Gostaríamos que eles batessem de uma forma regular, mas quem consegue controlar sentimentos mais fortes?


Não falo apenas de amor, mas também de amizades, afinidades. Falo de perdas, de ilusões, esperanças e desilusões num universo de almas que se vão cruzando ao longo dos tempos. E de uma estranha forma vemos os anos correr, sentimos o tempo escassear. O passado deixa de ser o ontem, o presente já não é o hoje e o futuro faz parte dos dias que não temos a certeza se vão chegar. Dizemos adeus a quem viaja para parte incerta sem sabermos se vai voltar, há palavras que deixamos por dizer a quem partiu sem deixar rasto. Ouvimos notícias menos boas de quem já não está por perto, observamos pessoas lutarem contra uma doença que surgiu sem avisar, outras que desistem de viver a cada dia. Assistimos a vidas que se extinguem, umas por tragédias incompreensíveis outras, dizem, pela lei que a natureza obriga. E perguntamo-nos porquê.


Posso dizer que vou andando, passo a passo, por esta ponte que me deixa admirar um rio que é sereno porque, por enquanto, a vida me permite fazê-lo. E continuo a sonhar e a tentar acreditar num amanhã melhor e, mesmo sabendo que muitos desejos não passam de utopia pura, prossigo nesta minha luta imaginária. Não sei se ainda me encontro a meio da ponte, mas vou tentar seguir para a outra margem o mais rápido que puder. Tenho de conseguir. Preciso urgentemente de mergulhar nas águas de um rio que transborda de esperança.


Os porquês e as dúvidas, as incertezas que me acompanham nas horas e a resposta que teima em não surgir. E fico assim, sem perceber a razão dos encontros e desencontros, das almas que se ausentam, da espera por um regresso que não chega, das vidas que se perdem, das esperanças que vão morrendo pouco a pouco. E tudo se mantém, neste ponto de interrogação.


Acredito que as coisas não acontecem por acaso e sinto que o que ficar por resolver nesta vida, resolver-se-á noutro lugar. Porque tem de haver uma resposta, tem de existir uma explicação para este mistério.


Há tanto para dizer, tantas ideias que divergem, opiniões discordantes e, ao mesmo tempo, tantas palavras que se trocam na mais perfeita harmonia. Mas a realidade é esta, a que vivemos, longe ou perto de um passado que não se repete e de um futuro incerto. Para quando a resposta a tudo o que não conhecemos e não sabemos nem conseguimos compreender?


Um dia, talvez...? Cabe ao destino decidir.


 

10 novembro, 2009

2.º aniversário do Danças em Silêncio

 



 


Faz hoje dois aninhos que criei este blog em sequência do meu outro, Asas Perdidas, que se encontra em stand by há muito tempo.


Não estou aqui para dar os parabéns a mim mesma, mas para agradecer as amizades construídas neste mundo blogosférico. Estar aqui tem sido deveras gratificante.


Foi muito mais do que criar cento e quinze posts e ter mais de mil comentários. Foi o conhecer pessoas novas que, sem a existência de presença física, se envolveram num sentimento grandioso.


No início, tudo era novo e desconhecido. Não havia visitas, não se conhecia ninguém mas ía-se espreitando um ou outro espaço e, com o passar do tempo, foram chegando autores de mundos fantásticos. Entrámos nos cantinhos uns dos outros, devagarinho e sem abusar, fomo-nos conhecendo através das palavras e criando laços de ternura invulgares. Hoje podemos dizer que há aqueles que fazem já parte da nossa vida.


É com muita honra que escrevo no sapo, aquele batráquio que nos deixa entrar e nos dá liberdade para escrever, criar. Por diversas vezes mudei o rosto ao blog, alterei os templates, as cores, os componentes, os títulos e as descrições. Dei um nome a mim própria, alterei o pseudónimo uma ou outra vez e, finalmente, decidi-me por ficar mesmo assim. A Ametista do Danças em Silêncio. Curioso é que ontem voltei a mudar o template e digo-vos que alterarei as vezes que forem necessárias. Porque é sempre bom mudar, quantas vezes nos apetecer.


Neste nosso mundo tenho conhecido blogs indescritíveis, formas de escrita envolventes e outros tipos de arte simplesmente fenomenais. Aqui cruzam-se emoções, misturam-se lágrimas, risos e sorrisos. Partilham-se alegrias, tristezas, abrem-se corações e unem-se almas. Por aqui também existem verdadeiros construtores de sonhos, onde podemos escrever até onde a nossa imaginação nos levar. Aqui publicam-se livros, concretizam-se sonhos.


Um dia este cantinho chamou-se Aqui Sou Feliz. Acreditem que o fui e hoje posso dizer que continuo a sê-lo. E não me canso de repetir que sou mesmo feliz aqui convosco!


 


Obrigada a todos.


 

09 novembro, 2009

Porque sim

 


O meu cantinho está assim...


 



 


 


Beijinhos a todos.


 

25 outubro, 2009

Os protagonistas

O envelope lacrado permanecia perdido no chão. A seu lado, um corvo acabava de fechar as asas e olhou para mim sem se mover. Os meus olhos castanhos pararam no tempo e as minhas mãos pálidas tremeram ao querer alcançar o envelope, mas o meu corpo esguio permaneceu inerte por entre as batidas fortes de um coração assustado.


Escutei um ligeiro ruído, ergui o olhar e deparei-me com alguém surgido do nada.


Era excessivamente moreno, alto e bem constituído, cabelos longos e lisos da cor dos seus olhos, negros como as asas do corvo que acabara de ver ali, naquele lugar. Era bonito, demasiado até, com uns traços de índio que lhe aumentavam a beleza.


O corvo desapareceu no instante em que o desconhecido declarou, em silêncio, a sua presença. Pegou na carta com as suas mãos ligeiramente enrugadas, de onde sobressaía uma penugem invulgar. Estendeu-me o envelope lacrado e acenou a cabeça como quem diz: Abre.


O meu rosto descorado deixou transparecer incredulidade por um lado, mas por outro uma confiança rara. Por momentos, senti um ar fresco e brando vindo de qualquer lugar estranho e que me transmitiu sedução por tão grande mistério. Os meus cabelos castanhos ondularam por entre a brisa que ia chegando e acalentando o meu coração, de tão apressado que batia. Os meus lábios ligeiramente finos rasgaram-se num sorriso incerto e agarrei na carta a receio.


Puxei o lacre suavemente e, com um misto de medo e curiosidade, retirei a folha de papel escondida no envelope cor de ébano.


Pestanejei antes de começar a ler as palavras contidas na carta mas, antes, perguntei ao desconhecido o seu nome. Corbie, disse-me com uma voz grave e doce ao mesmo tempo que esboçava um sorriso que deixava mostrar os seus dentes brancos e perfeitamente alinhados.


Comecei a ler a carta enquanto sentia, bem perto de mim, o seu ar sereno e um olhar profundo.


 


'Vem comigo e entra no mundo que inventei só para ti.


Não sabes quem sou, mas eu conheço-te como ninguém. Conheço os teus sonhos, as tuas vivências, as tuas angústias e as tuas esperanças. Sei que guardas segredos, recordações jamais esquecidas e trazes contigo uma força interior que te deixa sorrir e acreditar em dias melhores. Sei de cor a tua alma cigana e o teu espírito tão próprio de uma criança que se recusa a crescer. Sei que queres ser livre e sobrevoar até sempre o mar que te apazigua o coração.
Vem comigo. Quero levar-te a conhecer um mundo imaginário totalmente à parte deste em que vives e, no fundo, tão perto daqui. Lá, conseguirás ser feliz.


Despe-te de preconceitos, mascara-te, veste-te das personagens que um dia sonhaste ser. Encarna os papéis principais ou secundários. Escolhe. Dou-te esse direito. Se pretenderes, sê apenas figurante e admira os cenários, envolve-te neles. Lá, no lugar de que te falo, as pessoas são imortais e transformam-se em pássaros.'


Para a Laura, de um corvo perdido que não traz maus presságios.'


 


Olhei para o homem que se deparava à minha frente e deixei-me ficar no silêncio que transbordava em nosso redor. Eu, Laura, secretária de uma média empresa e pintora nas horas vagas, era uma mulher sonhadora em demasia. Estaria eu perante um construtor de sonhos?


Ele estava ali, descalço, um corpo semi-nú coberto por uma capa negra e longa com um capuz que lhe caía pelas costas. Sobre o ombro, um corvo que aparecia e desaparecia por entre voos curtos e lentos. Voava com as suas asas de veludo e pousava, de seguida, suavemente. Enquanto o corvo esvoaçava sorrateiramente, o homem misterioso desaparecia por breves instantes e regressava com um olhar enigmático. 


Olhei para mim mesma de preto trajada, um vestido que me torneava o corpo até aos pés. Descalça também e com os cabelos compridos em desalinho, estendi-lhe a mão e parti com ele.


Um homem-corvo, um feiticeiro, um anjo quem sabe, que trouxe consigo bons presságios e me fez partir em busca de uma liberdade incógnita que precisava, urgentemente, de alcançar.


 


 


(Texto fictício escrito para a Fábrica de Histórias)

21 outubro, 2009

Um dia p'ra não esquecer

O dia da apresentação do livro


 



 


3 de Outubro de 2009, 10 da manhã.


 


Levantei-me, depois de um sono ansioso, sem saber muito bem a que planeta pertenço. Terra ou Marte?


Deambulei pela casa e senti o meu corpo tremer. É hoje. Olhei-me ao espelho e perguntei-me: É mesmo hoje? Meu Deus!


Olhei através da janela do quarto. O sol brilhava como num dia de Verão. O dia estava pura e simplesmente lindo.


Coragem, Leonor, coragem. Tu vais conseguir. Ouvia a voz de um anjo bem juntinho ao meu ombro que sussurrava: Calma...


O meu coração batia aceleradamente enquanto me preparava para agarrar o dia. Carpe Diem. Afinal, hoje é um dia especial e único na tua vida, miúda - disse-me o anjo.


Lembro-me que falei comigo mesma o tempo todo. Parecia um autêntico diálogo mas, afinal, quem estava ali era apenas e somente eu. Que belo monólogo, sem pés nem cabeça e sem espectadores.


Percorri a casa de trás para a frente e de frente para trás e no fim de me encontrar completamente preparada para sair, parei em frente à porta de entrada e enchi o peito de ar para depois o expirar, muito devagarinho. Ainda falta, pensei.


Mal tinha calçado os sapatos que tinha comprado de véspera e já começava a sentir uma ligeira dor nos pés. Tacão alto? Alto não, altíssimo! Nunca mais na vida. Não tarda, já não consigo andar. Agora tens de aguentar, Leonor.


Não me lembro de conduzir até casa da minha mãe. Foi como se o carro me levasse como que numa onda que rebenta velozmente.


 


 


3 de Outubro de 2009, 15 horas.


 


Tocou o telefone e atendi num ápice. Acho que gritei, não me lembro bem, e do outro lado soaram risos. A Helena da Autores Editora acabava de chegar à minha santa terrinha. Não se encontrava muito longe e, de tão querida que é, num instante encontrou o caminho para a casa da minha mãe. Demos um abraço há tanto esperado.


Apresentei-lhe a família, conversámos um pouco e tentou acalmar-me tal era o meu nervosismo.


Estávamos nós numa conversa animada e uma vez mais a Helena no seu melhor a ajudar-me a descontrair, o telefone voltou a tocar. Quem poderia ser? Não mais do que a Diana, minha querida amiga Maria das Quimeras e a Marta, a muito admirada Sonhandoaosquarenta, ambas perdidas no meio da cidade, quem sabe mais localizadas do que eu própria, muito mais perdida do que elas. Acho que a minha voz tremia enquanto tentava ensinar-lhes o caminho para a casa da minha mãe, mas atrapalhei-me toda e a minha irmã conseguiu salvar a situação (pensávamos nós). Esperámos por elas, mas escapou-se-lhes um pormenor importante e, depois de algum tempo de espera, já a Diana e a Marta se encontravam na direcção oposta e a caminho do local da festa.


Fomos ao seu encontro mas, às tantas, estávamos tão perto e não nos conseguíamos ver. Finalmente, lá nos avistámos e seguimos viagem em fila indiana até ao destino.


Parados os carros numa ladeira íngreme, fui ao encontro das minhas queridas amigas por entre braços abertos e um andar desengonçado.


Foi um momento bonito. Abraços, beijos e sorrisos.


 


 


3 de Outubro de 2009, 17 horas.


 


Encontrava-me ainda por detrás do balcão do bar a tirar uns cafezinhos para as convidadas especiais (a máquina fez um barulho esquisito e ainda pensei que íamos ficar sem café), quando começaram a aparecer alguns amigos e conhecidos, família e colegas de trabalho. Fui apanhada completamente desprevenida. Pensei que as pessoas começassem a  chegar um pouco mais tarde, mas foi puro engano meu. A surpresa foi grande e, ainda as manas andavam atarefadas a dar os últimos retoques no bar, já as pessoas começavam a instalar-se na esplanada. Acho que 'rosnei' a quem me ofereceu ajuda e quase me senti 'à beira de um ataque de nervos' antes de um discurso feito à base de agradecimentos e sem formalidades.


Queria estar em todo o lado. Com as amigas do blog, com a Gerente da Fábrica e com todos os que carinhosamente iam chegando. Mas impossível desdobrar-me e o tempo voou. Um bocadinho aqui, outro pedacinho ali e as palavras não me saíam, a não ser muito obrigada.


 


 


3 de Outubro de 2009, 20 horas.


 


Depois das pessoas começarem a dispersar permaneceu um grupo e, ao cair da noite, decidimos ir jantar a um restaurante que se encontrava ali perto. Deslocámo-nos até lá numa bela caminhada na mais perfeita harmonia.


Enquanto sentíamos o ar ameno de uma autêntica noite de Verão conversávamos, por entre sorrisos e gargalhadas, à porta do restaurante. Esperámos hora e meia, se não mais, para conseguirmos uma mesa vaga para doze pessoas. Juntaram-se as operárias da Fábrica e a sua Gerente. Falámos de nós e das inspirações, dos temas semanais, da produtividade e do atraso na entrega dos textos.


Foi um jantar divertido onde imperou a alegria e boa disposição, disparates saudáveis e bom humor, típico dos ribatejanos. Eu, refeita do estado de nervos, comecei a sentir-me meio 'abananada' e com pouca reacção.


Regressámos ao bar, aproveitámos o ar da noite e sentámo-nos em roda de uma mesa de amizade. Trocaram-se mails e endereços dos blogs, tiraram-se fotografias para recordar. Qual não foi o meu espanto quando se fez silêncio e começaram a cantar-me os parabéns. Esquecera-me por completo do dia que acabava de entrar e fiquei comovida com mais um gesto de carinho.


 


 


4 de Outubro de 2009, 1 da manhã.


 


Hora da despedida.


Saída do Ribatejo por parte de quem pertence à Estremadura. Demos abraços e beijos de despedida e o obrigada por tudo sempre presente. Ao vê-las partir, a saudade instalou-se de imediato.


Para quando um novo encontro? Talvez para breve...


 


 


P.S. E é que não foi mesmo? E como resultado do encontro, eu e a Marta começámos a fazer parte do blog No Estendal da Maria a convite da própria. Vão lá espreitar, vão!


É só rir!

18 outubro, 2009

Uma rua sem nome

Rompe o dia e desperto de um sono tranquilo. Levanto-me, dirijo-me à janela do quarto e afasto o cortinado que encobre, muito ao de leve, a luz vinda do exterior. O sol parece espreitar, meio escondido, através de nuvens brancas.


Observo as árvores que resistem ao tempo num terreno bravio bem perto de mim. Contemplo a serra que se avista ao longe e respiro o ar fresco da manhã. Há um misto de cores que entram pelo meu quarto, bem cedinho, ao acordar. O verde dos montes que se funde com o castanho da terra e o céu que vai limpando, deixando transparecer o azul que lhe é fiel.


Caminho até à sala, abro a janela de par em par e respiro o cheirinho a pão quente que vem da pastelaria do outro lado da rua. Tem bolos fresquinhos de fabrico caseiro. Por cima da lojinha do pão, janelas semiabertas deixam a descoberto cortinados coloridos que ondulam com a brisa matinal.


Um autocarro pára junto da escola acima da minha rua. Vejo carros que passam e estacionam junto ao passeio, outros que seguem viagem. Consigo escutar gargalhadas infantis no átrio e a campainha de entrada para as aulas acaba por tocar.


Há vozes que se cruzam na rua por entre passos, uns apressados outros vagarosos. Os cães ladram ao longe, ouvem-se disparos de espingarda em época de caça.


Ergo o olhar e avisto o castelo da cidade que conhece tão bem as minhas raízes. Estão guardadas num canteiro de flores.


De um dos lados da casa, inalo o aroma que a natureza me oferece. Do outro, sinto o cheiro a movimento numa rua que se cala a cada fim de semana.


Fecho a janela, abstraio-me do ruído da vida lá fora e deixo-me ficar no silêncio do lar.


A campainha quebra o meu momento repousante, abro a porta mas não vejo ninguém. Há um envelope lacrado perdido no chão.


 


 


(Texto escrito para a Fábrica de Histórias)

06 outubro, 2009

Aqui, de onde vos escrevo...


 


Aqui, de onde vos escrevo, sente-se um aroma tradicional do incenso que vou espalhando pela casa.


Tu entras devagar, à tardinha, beijas-me a testa em sinal de apreço e deixas-me divagar.


Os meus dedos dançam por entre as teclas do computador da secretária colocada num recanto da sala ampla onde tu, sentado no sofá chaise-longue de tecido castanho escuro e preto, assistes a um filme romântico.


Inspiro-me ao som da banda sonora, uma música sublime de Jack Nitzsche. Observas as paredes cruas decoradas com telas criadas por mim, umas abstractas outras paisagísticas, que contrastam na perfeição com a arte africana que as completa.


Do outro lado da sala, cortinados laranja percorrem a ampla janela de onde avisto o castelo da minha cidade. No final do filme levantas-te, afastas a cortina e contemplas a paisagem num silêncio absoluto.


Voltas a sentar-te, desta vez no sofá amarelo que está junto à janela, coberto de almofadas pretas e laranja, e poisas os pés na alcatifa que cobre parte do chão em tijoleira. Tem um misto de cores que embeleza o espaço. Castanhos, bordeaux, laranjas.


A meio da sala, pendurado no tecto, um espanta espíritos. Metade sol metade lua, deixa soltar aquele som peculiar de quando se entra numa típica loja chinesa de antiguidades. Levantas-te, consegues tocá-lo com os teus cabelos e o tom das canas de bambu acaba por soar.


Olhas o cavalete a um canto da sala com uma tela de nós meio pintada. Aspiras o cheiro suave a guache e pegas num pincel. Sentes a tinta ressequida e perguntas-me porque não voltei a pintar. Encolho os ombros, permaneço nas minhas divagações e tu aproximas-te de mim. Enrolas os teus braços no meu pescoço, beijas-me o cabelo e deixas-me ficar, absorta, na minha escrita.


Há velas, muitas velas. Acendes uma com aroma a baunilha e eu inalo o cheirinho doce que me acalenta a alma e me faz sussurrar as palavras que escrevo.


Escolho a música que me faz voar e aumento o volume da aparelhagem escondida na parte inferior da secretária onde me sento. O Purple Rain de Prince quebra o silêncio que existe entre nós e eu escrevo, sem parar. Surgem imagens vindas do meu imaginário, nascem  histórias que lanço para vós.


Passeias pela sala e eu continuo aqui, no mesmo lugar. Paras junto ao móvel de cerejeira maciça, frente ao sofá chaise-longue, onde estão arrumados os livros que trouxe de casa da minha mãe. Alguns de poetas e romancistas que admiro, outros que me transmitem algo. Pegas num daqueles onde mora o meu nome, romances escritos por mim com onze anos apenas.


Folheias o álbum de fotografias, arrumado numa das prateleiras, que guarda as minhas melhores recordações e abres um baú de madeira onde arrecado momentos. Ao lado, um poema emoldurado da minha avó dedicado a mim.


Há um candeeiro de pé alto num dos cantos da sala, que ilumina baixinho os retratos expostos numa pequena camilha. Uns meus, outros de quem me é querido, onde estão marcados os nossos sorrisos. Agarras em cada um deles e sorris também.


Passam as horas, pegas no puff preto colocado sobre a alcatifa multicolor e sentas-te a meu lado. Encontras uma folha de papel amarelecida pelo tempo, perdida no porta revistas de ferro forjado pousado no chão entre o cavalete e o sofá amarelo, e lês aquela carta antiga que escrevi para ti.


Agarras-me a mão com uma força excessivamente grande, admiras a sala de uma ponta à outra, murmuras a palavra oriental e desapareces no silêncio da noite deixando no ar um rasto de ti.


Aqui, de onde vos escrevo, a saudade tem cor e presença. Aqui, neste meu cantinho, escrevo por entre luz, aromas, sons, pinceladas, memórias e fantasias.


 


 


(Texto escrito para a Fábrica de Histórias)

28 setembro, 2009

A Floresta

Foi na floresta que encontrei o segredo da amizade.


Sempre que subo àquela árvore tu estás lá, à minha espera. Um homem pequenino, com alma de criança e coração de anjo.


Conheci-te naquela manhã de Outono. O solo estava coberto de folhas caídas e tu surgiste por entre as árvores gigantescas daquela floresta mágica. Lembro-me que cantarolava saltitante e, ao ver-te, parei assustada. Mas o teu sorriso bondoso de menino fez-me sentir um certo fascínio e fui ao teu encontro.


Estendeste-me a mão e subimos à árvore mais alta.


Constaste-me a tua história, falaste-me das tuas raízes, disseste-me que não tinhas amigos e que te sentias só, que não podias apaixonar-te porque nunca irias crescer. Eu confessei-te que, ao contrário de ti, não queria crescer porque era feliz enquanto criança.


Perdemo-nos nas horas, do tanto que conversámos.


Desde esse dia, nunca mais nos separámos. Encontramo-nos, em segredo, pela manhã até ao anoitecer. Na mesma árvore falas-me de ti, eu conto-te as minhas histórias e, juntos, admiramos a magia da floresta.


No fim de contarmos os nossos segredos damos as mãos, soltamos beijos e abraços. Descemos a árvore e corremos pela floresta até nos cansarmos.


Quando chega a hora da despedida, dizemos um ao outro:


- Amigos, até sempre. Boa noite.


Os anos passam e continuo a ir à floresta todos os dias. Saio de casa antes do amanhecer para, juntos, vermos o sol nascer. Assistimos ao crescer do dia e despedimo-nos quando a lua ilumina o nosso lugar.


Somos os maiores amigos de todo o sempre. Inquebrável o nosso sentimento valioso, fruto de um encontro marcado pelo destino numa floresta encantada.


Através de uma amizade genuína, aprendemos a acreditar que nunca estaremos sós. Tu, um menino que não conseguiu crescer. Eu, uma menina que nunca quis deixar de ser criança.


 


 


(Texto escrito para a Fábrica de Histórias)

27 setembro, 2009

Parabéns, Maria das Quimeras

Desejo à minha querida amiga Maria das Quimeras um excelente Aniversário!


Espero que o teu dia seja preenchido com tudo de bom que mereces. Miminhos, prendinhas boas, abracinhos apertados e muitos, mas muitos sorrisos... tudo na companhia de quem amas.


Que seja, então, um daqueles dias... inesquecível, para guardares no baú das tuas melhores recordações.


Muito obrigada pela tua amizade.


Sê feliz, Amiga!


 


Beijinhos mil e sorrisos... muitos, ao longo do teu percurso... 

16 setembro, 2009

As Pontes de Madison County - a minha versão

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'Meu querido Robert,


 


Se esta carta chegar até ti, estejas onde estiveres, não farei já parte desta vida. Terei embarcado numa outra viagem, aquela que tu já conheces. Levo-te comigo no coração e procurarei por ti até te encontrar.


Escrevo-te para agradecer a história de amor que vivemos, aquela que sempre quis ter e que só tu me conseguiste proporcionar.


Lembro-me, como se fosse hoje, do dia em que chegaste às colinas de Iowa no teu velho Chevrolet. Trazias o ar rude dos anos marcado no rosto, mas um sorriso leal e um olhar terno.


Lá estava eu, no alpendre de madeira da quinta, a respirar mais uma tarde escaldante de Verão. Tu, um fotógrafo da National Geographic aventureiro e de alma nómada, vinhas em busca das pontes que povoam Madison County.


Senti-te perdido e ensinei-te o caminho. Levei-te a conhecer a ponte Roseman, onde ficaram as marcas daquele que foi o início inesperado da nossa história de amor.


Contigo, descobri que o amor existe na sua verdadeira essência. Contigo, aprendi a amar. Ensinaste-me que quando os sentimentos são puros e os gestos delicados, a nossa vida transforma-se e tudo parece perfeito.


Contigo, consegui elevar os meus sentidos mais profundos e que desconhecia ter. Juntos conseguimos partilhar duas vidas e vivê-las de uma só vez. Contigo, a minha vida ganhou brilho.


Recordas-te da nossa dança? Lembro-me do teu olhar quando surgi dentro do vestido que usei só para ti. Tocámo-nos tão suavemente que conseguíamos escutar o palpitar dos nossos corações. Vivemos dias de uma beleza tão rara que quase me pareceu um sonho.


Estou-te grata por isso. Pelo teu carinho, pelo teu amor, pelos dias em que foste o meu verdadeiro companheiro.


Sei que andas por aí, quem sabe por perto.


Recebi a caixa que me enviaste com todos os retratos que tiraste, todas as fotografias que captaste, todas as imagens que gravaste. Trouxe tudo comigo. O crucifixo que te dei naquele fim de tarde na pradaria, o álbum e as palavras que me dedicaste. Ainda trago comigo o teu cheiro, está gravado na minha pele.


Acredita que, se estivéssemos vivos, largaria tudo e iria ao teu encontro. Depois da morte do meu marido procurei por ti, mas não consegui encontrar-te. 


Após o meu desaparecimento, os meus filhos tiveram dificuldade em aceitar a  nossa história mas, depois de tantas descobertas, deram-me todo o apoio emocional que alguma mãe pode ter.  Consegui senti-lo, ao longe. Senti lágrimas correrem pelos seus rostos ao lerem a mais bela história de amor que alguém pode viver.


Passei todos estes anos com o peso da traição e nunca poderia abandonar a minha família. Apesar de um matrimónio quebrado pelo silêncio e uma indiferença vindos de há longo tempo e quase insuportáveis, não poderia ir na tua direcção. Não conseguiria deixar para trás os meus dois filhos.


Aquele dia chuvoso em que partiste para sempre foi o mais marcante da minha vida. Não consigo esquecer o teu gesto, aquele em que colocaste o crucifixo que te dei no espelho retrovisor do teu velho Chevrolet, enquanto esperavas por mim. Por momentos, que me pareceram tão longos quanto a dor de uma perda, senti-me entre o  partir e o ficar. Estive prestes a sair e chamar por ti, lançar-me nos teus braços e deixar-me ir.


Deste-me a maior prova de amor que alguém pode dar e eu acabei por ficar. Porque não podia partir. Nunca conseguiria ser feliz na sua plenitude, mesmo que a teu lado. Compreendes-me?


Não voltei a ver-te. Separámo-nos mas estivemos sempre juntos, porque os nossos corações uniram-se no dia em que nos conhecemos e ficaram ligados até à morte.


Pedi aos meus filhos a minha cremação. Concretizaram o meu desejo e lançaram as minhas cinzas às águas do rio que passa por baixo da ponte Roseman. Naquele lugar estão guardados segredos nossos, pedaços da nossa felicidade.


Hoje procuro por ti, procurarei até que me seja permitido. Quero ver-te chegar, reviver o nosso amor, viver a nossa história inacabada. E acredito que conseguirei encontrar-te, porque sinto que também tu procuras por mim.


Até breve, meu amor.


 


Eternamente tua


 


Francesca'


 


 


(Texto escrito para a Fábrica de Histórias)

06 setembro, 2009

Fábrica de Histórias



 


Vejo-me a passear por entre divagações e encontro uma fábrica de histórias pousada numa nuvem branca. A seu lado uma outra nuvem, de mil cores, onde um grupo de operários partilha os seus sentidos de mãos dadas.


A porta está aberta. Entro na nuvem, estendem-me a mão e juntos criamos uma dança especial. É o baile das palavras que nos unem, por entre uma aliança de almas que se tocam num gesto encantador.


Consigo ouvir as nossas vozes que sussurram por entre a música que toca sem parar e as palavras ecoam em nosso redor, as histórias pairam no ar.


Há pedaços de prosa, pedaços de poesia guardados num cantinho de nós e a inspiração que nos espera sorri-nos através de uma nuvem coberta pelo imaginário que nos envolve.


Há escritas floridas enviadas e recebidas com carinho. São brancas como a paz, azuis como o mar, verdes como a esperança, de mil cores como os nossos sorrisos.


Ganhamos asas, voamos num céu que nos ampara e pousamos na praia que nos espera.


Damos as mãos sentados na areia dourada e emergem as nossas histórias que cantam com as gaivotas que sobrevoam a beira mar. É um cântico que nasce de um abraço construído de mil contos de encantar. As palavras soam num verso inigualável, enchem-nos a alma, trazem consigo um pouco de mar.


As ondas vêm até nós para nos beijar e eleva-se o nosso sentir. Mergulhamos nas suas águas como sereias a ondular nas profundezas de um oceano. Há uma fantasia que se aproxima de mansinho e chega até nós.


E desta forma tão sublime cresce a fábrica de histórias que encontrei, que abriu as portas de par em par e, tão delicadamente, me deixou entrar. A fábrica é azul, parece o sol a reflectir-se no mar.


As mãos estão dadas, a dança é perfeita, a arte eterna. Estamos na linha do horizonte.


Há cenário mais belo do que este?


Somos nós...


 


 


(Texto escrito para a Fábrica de Histórias)


 


 


É uma honra fazer parte do grupo de operários da Fábrica de Histórias criada paralelamente  à Autores Editora, verdadeiros construtores de sonhos, e cujo projecto nasceu há um ano. Estão de parabéns!


 


Muito obrigada por existirem, muito obrigada por fazerem parte da minha vida.

31 agosto, 2009

A Lua, o Lobo e Eu

 



 



Levanto-me a meio da noite. O sono teima em manter-se afastado.


Sinto-me vaguear pela casa. Há memórias de ti aqui e ali, pedaços de nós marcados no chão que piso descalça, aquele por onde caminhaste um dia.


Lá fora, uma noite de luar. Olho as estrelas e respiro o ar ameno. Está tudo tão sereno. Tento alcançar a lua que vai crescendo ao longe. Conto-lhe histórias, deixo-lhe segredos que guarda no colo.


Do outro lado do mundo, os lobos vagueiam no silêncio de uma noite fria e esperam pela lua cheia que tarda em chegar. Há uivos escondidos na sua alma bravia que insistem em soltar-se.


Queria eu também chamar por ti num grito, qual lobo solitário que clama por uma companheira num gemido incessante.


Não és tu, ó lua, a minha eterna confidente?


 


Uivam os lobos, chora quem ama...

19 agosto, 2009

Às vezes

 


Às vezes, sinto medo.


Medo de não ter tempo. Tempo para viver a minha história, aquela que inventei para mim.


Não tenho medo da solidão, porque nunca estarei completamente só. Há anjos que me envolvem a alma, há uma imensidão de palavras que me rodeiam e vou voando por entre o meu imaginário.


Mas, mesmo assim, por vezes sinto medo. Medo de não conseguir voltar a encontrar-te. Medo de não poder dizer o que está guardado num baú cheio de ti, onde habita a tua imagem, onde mora o que não chegaste a ser.


Mas, às vezes, sinto esperança. Esperança de voltar a ver-te, sentir-te perto, de olhar-te nos olhos, poder tocar o teu rosto, de abraçar-te.


Outras vezes, tudo se desvanece. O medo e a esperança. Deixo de ter medo, mas foge-me a esperança. E embrulho-me num misto de verdade e mentira, numa contradição de ter medo e não ter, de ganhar esperança e perdê-la.


Tantas outras vezes me pergunto o que fomos noutra vida, o que nos separou e o que nos fez reencontrar. E não há respostas, mas existem os sentidos. Sentidos que me fazem acreditar às vezes e, outras vezes, desacreditar.


Por vezes, anseio ir ao teu encontro. Umas vezes, o vento empurra-me para trás e não me deixa prosseguir. Outras vou em direcção a ti mas, quando chego ao teu lugar, acabaste de partir.


Às vezes choro, outras tantas rio. Às vezes falo e outras fico calada. E tantas vezes escrevo para ti, tantas vezes grito por entre palavras vãs. Tantas outras me deixo ficar na dança do meu silêncio.


Tantas vezes, quase todas, perco o tempo a pensar em ti e tantas outras me perco no tempo por um pensamento de ti.


 

13 agosto, 2009

Perdida

Descrição de um sono onde habita o surreal.


 


Cruzo-me comigo mesma por entre caminhos assombrados. Em cada um deles uma imagem, um ruído. Percorro espaços estreitos vezes sem fim. Em cada esquina, braços estendidos tentam alcançar-me. Vozes em uníssono fazem soar o meu nome. Risos sarcásticos ouvem-se ao longe, gargalhadas repetidas por entre muros erguidos do vazio. Gritos doentios ecoam sem parar, rostos alucinados cruzam-se à pressa por entre a escuridão. Surgem fantasmas de todos os lados, silhuetas disformes chamam por mim.


Perco o rumo, esqueço a minha identidade. Estradas sem saída, direcções cruzadas por entre o desconhecido. Perco-me do mundo, entro em delírio e atravesso o labirinto repetidamente, sem parar. Uma sombra vinda do nada acena-me num adeus incessante. Não sei quem é, não sei o seu nome.


Paro, exausta. Respiro ofegante e estendo-me no chão frio num completo desvario. Adormeço num sono agitado. Passam as horas, os dias, os meses. Os anos ficam suspensos num passado ignorado. Memórias em branco perdidas aqui e ali, num lugar qualquer que não existe.


O meu corpo esguio mantém-se inerte à espera de luz e silêncio. E o tempo corre veloz.


Muito tempo depois, tanto que não sei quanto, um pedaço de sol desponta por entre as nuvens que ofuscam o labirinto.


Encontro a saída e descubro um mundo novo.

10 agosto, 2009

De regresso ao lar

 



 


Estava com saudades vossas... apenas vossas :)


Sim, porque agora... ai! Toca de arrumar, lavar e limpar :(


Prometo responder aos comentários que me deixaram e espreitar os vossos cantinhos!


 


Beijinhos e abraços!


 


 

01 agosto, 2009

Férias para que te quero

Eu adoro-vos a todos, eu adoro estar aqui...


mas vou fazer como o Garfield!


 



 


Vou levar os meus amigos bem juntinho ao coração...


 


Até breve!

30 julho, 2009

Carta a quem não lê

 


'Querido Duarte,


 


Sei que não me lês, sei que não entras no meu espaço.


Por isso confesso que não te esqueci, amor da minha vida presente.


Declaro aqui, neste meu mundo, que és tu que existes em cada momento imaginário do meu dia a dia.


Às vezes, vejo-te passar. Finjo que ignoro a tua presença, finjo que me és indiferente, mas és tu quem faz parte dos meus sonhos.


Sei que o tempo vai passar e nada vai mudar. Sabes, meu amor, bastava-me aquela conversa que nunca tivemos e sinto que jamais teremos. Mas as palavras permanecem guardadas num cantinho de mim, à espera do momento em que possa proferi-las.


 


 Embarquei no rio das lágrimas que derramei por ti e naveguei na imensidão do sentimento que te sustenho. Desaguei na ternura que me agarra a ti e naufraguei na perda deste amor ausente.


Podia cair uma estrela, que eu estaria aqui para contigo poder abraçá-la. Podia abater o sol, que eu estaria aqui para contigo sentir o seu ardor. Podia ruir a terra, que eu estaria aqui para contigo construir um mundo novo. Podia acabar tudo o que existe que eu estaria aqui, à tua espera.


 


Nunca saberás o meu verdadeiro sentimento, aquele que nutro por ti. Resta-me esperar que o tempo permita que me liberte de ti, um dia.


Mais ninguém conseguirá preencher o lugar que te pertence.


Adoro-te a ti.


 


Tua até sempre


 


Laura'


 

25 julho, 2009

Porta aberta para um Sonho

 


Querido Duarte,


 


Às vezes, sinto-te chegar.


Abres a porta do meu mundo e entras nos meus sonhos devagar. Recolhes-me no teu colo e afagas os meus cabelos lentamente. As tuas mãos percorrem o meu rosto por entre carícias delicadas.


Em redor de nós, um vento brando onde as palavras não pairam. Nada consegue quebrar esta aragem que nos faz levitar.


Apertas-me docemente de encontro ao peito, envolves-me nos teus braços e dançamos num silêncio fiel que nos faz subir até à nuvem mais alta. Enlaçamo-nos por entre gestos de uma ternura quase transcendental.


Respiram-se os nossos sentidos, tocam-se as nossas almas.


É tudo tão suave.


Pára o tempo, acaba o mundo e permanecemos neste misto de amor e inocência.


É uma porta aberta para um sonho que se repete em cada pedaço das horas que vão passando por mim.


 


Tua até sempre.


 


Laura


 

20 julho, 2009

o Fim de Nós

 


Querido Duarte,


 


Eu quis ir ao teu encontro, mas voltaste a fugir.


Contigo descobri que não temos a mesma alma. A tua escapou por entre as vísceras do teu coração arrefecido.


Ensinaste-me que não faço parte de ti. E tu não poderás fazer parte da minha vida.


Contigo aprendi que nem o mais grandioso dos amores pode juntar duas pessoas que não têm o mesmo sonho, que não dançam a mesma música. Mesmo aquela que escutam em perfeita sintonia. Não é livre um amor assim.


A nossa música deixou simplesmente de tocar. É hora de esquecer o que não fomos. Ficaram os retalhos perdidos no chão de uma vida apenas. A outra vida és tu e não me pertence.


Fechei o meu coração. Lancei a chave às águas de um rio que corre veloz debaixo da ponte que separa as nossas vidas. Não há retorno. O meu coração está selado.


Mas a minha alma continua a dançar e consegue libertar-se num voo sem limites. E as palavras esperam por mim em volta de uma fogueira numa noite de luar.


E eu não vou fazer soar o teu nome.


 


Laura


 

16 julho, 2009

'Asas Perdidas' - o Livro que me fez Voar

Recuperei as Asas que perdi...


Alcancei a liberdade de Voar...


 



 


Sempre escrevi sentimentos de alma.


Asas Perdidas é o cantinho das minhas emoções transformado agora em livro, um sonho tornado realidade.


É um livro de poesia branca onde estão expressas divagações minhas. É um livro que fala, essencialmente, de amor.


Dedico este livro às mulheres da minha vida. Avó, mãe e irmãs. Sem o seu amor e apoio, não teria sido possível concretizar este sonho.


Quero agradecer do fundo do coração à querida Helena da Autores Editora a ajuda preciosa para a realização deste sonho. Sem ela, não teria conseguido alcançá-lo.


Por entre contactos frequentes para a edição do livro fomos criando, passo a passo, laços de afecto. Estou-lhe imensamente grata por tudo.


Um agradecimento muito especial a todos os amigos que acompanham o meu blog e me acarinham a cada dia.


Tenho de mencionar dois nomes que me deram uma força inigualável. A minha muito querida Ónix, irmã de sangue, de alma e coração e o meu muito querido amigo José que tem sido incansável nas palavras de apreço. Sem eles, não teria conseguido ir em busca deste sonho, ir à luta até ao fim.


 


A todos, a minha profunda gratidão.

14 julho, 2009

A Magia de uma Flor(deliz)

 


A querida Flordeliz ofereceu-me este miminho que estava guardadinho na minha alma à espera deste dia.


 


 


 


Agradeço do fundo de mim o gesto e as palavras doces de uma amiga que tem um mundo que nos encanta com a beleza dos seus clics e que nos deixa a sonhar com a magia de cores que nos envolve.


 


Obrigada, querida Flor!


 


Não vou seguir as regras, mas vou oferecer este selo a todos aqueles que passam por aqui e trazem consigo magia nas palavras.


 

28 junho, 2009

Nas nossas mãos


 (Palavras para uma imagem)


 


Nas nossas mãos transportamos o destino que nos foi traçado. É nas nossas mãos que moram as linhas da vida, do amor, da sorte ou do infortúnio. É nelas que reside o enigma do presente e do futuro próximo ou longínquo.


Nas nossas mãos guardamos a esperança, a vontade, um misto de querer e não querer. Com as mãos podemos mostrar a perseverança, a firmeza, a coragem.


Nas nossas mãos está a força de vencer cada batalha, cada luta diária que temos de travar. Através delas conseguimos revelar a sensibilidade, a amargura, a revolta.


Nas nossas mãos está o gesto. É com elas que podemos tocar, sentir, transformar.


É com as nossas mãos que lemos, aprendemos, labutamos. Com elas conseguimos escrever, pintar, decorar as nossas vidas.


Nas nossas mãos carregamos os sonhos, as fantasias, a magia dos segredos. Nelas guardamos o mistério do estar vivo.


Com as nossas mãos podemos unir raças, crenças, culturas. De mãos dadas podemos mudar o mundo.


 


 


(Texto escrito para a Fábrica de Histórias)

27 junho, 2009

Obrigada a todos

 


Quero agradecer aos amigos mais queridos que tenho aqui na blogosfera a força que me têm transmitido nesta fase menos boa da minha vida.


Um agradecimento especial ao meu muito querido amigo José A pelo mimo que me deixou extremamente comovida e à querida amiga Flordeliz pelo post que me dedicou. Conseguiram colocar no meu rosto um sorriso de mil cores.


Não tenho palavras para agradecer todo o carinho e apoio que fizeram chegar até mim. Obrigada pelas palavras de conforto que me têm deixado.


Maria das Quimeras Sindarin Gota de Orvalho. Como retribuir-vos a amizade demonstrada? Terem entrado na minha vida foi algo maravilhoso que me aconteceu. Estou-vos imensamente grata.


De salientar o afecto sempre presente da minha muito querida amiga Ónix e do meu grande amigo Segredo que tem estado ausente por aqui, mas nunca se esquece de mim.


Em nome do meu amigo que se encontra hospitalizado em estado grave, um agradecimento imenso pelo apoio transmitido por parte de todos os amigos que acima mencionei bem como a Idalina, Jo e Sonhandoaosquarenta.


Estão todos na minha alma.


Aproveito para referir o prémio que a Green.eyesme ofereceu e ainda não tive oportunidade de agradecer.


Obrigada também a quem vai passando no meu cantinho e me vai deixando uma palavra de apreço. Desculpem se não vos menciono a todos.


 


Bem hajam. Adoro-vos!

21 junho, 2009

Em busca da Felicidade

A busca da felicidade é, para mim, feita de momentos. Podem ser até pequenos gestos mas que me fazem sentir feliz, mesmo que por instantes apenas.


Ter um amigo e ir ao seu encontro é ir em busca de um pedaço de vida em que sou feliz. Poder abraçá-lo, beijar-lhe o rosto, rir e sorrir com ele. A amizade quando genuína consegue transmitir-me uma felicidade extrema. Os meus sentidos fazem com que não me esqueça de quem foi ou é deveras importante, independentemente se foi só por um momento. É como receber mensagens com regularidade de quem gosto de verdade e ter a certeza de que sou correspondida. As expressões de quem as envia tornam-se doces como o mais saboroso dos chocolates. Há uma ternura que transparece e que me transmite uma espécie de serenidade absoluta.


Ir em busca da felicidade é ir ao encontro de quem gosta de mim, é haver tempo para conversas de café em noites frias e risos ao redor de uma mesa de amizade em noites quentes. É um sorriso. De mim para quem goste, para mim de quem amo.


Ir em busca da felicidade é esperar por alguém de quem sinto saudade, esperançada de que as palavras venham desenhadas no seu olhar. É o irromper de um enlace dos sentidos num silêncio de gestos declarados. É embalar num abraço apetecido e respirar ao sabor de uma carícia. É elevar-me na essência de uma dança suave.


Ir em busca da felicidade é recordar com carinho quem me faz sorrir, porque as sensações da alma deixam um significado tão intenso que tudo se torna como num sonho encantado.


Ir em busca da felicidade é ir a casa da minha mãe, sentar-me à mesa numa completa união familiar, ver os gatos a brincar, ouvir as cigarras a gritar e os grilos a cantar.


Ir em busca da felicidade é sonhar. É ser criança até sempre, porque é uma fantasia que renasce, é uma bola de sabão. Ir em busca da felicidade é cheirar o mar, respirá-lo, olhá-lo, sentir a paz que me consegue transmitir. É sentir os pés na areia fresca da manhã e à beira mar nos fins de tarde.


Ir em busca da felicidade é sentir-me livre para o que me vai na alma. É ouvir aquela música que chama por mim e conseguir esquecer que o mundo existe. É dançar, porque a dança existe em mim e faz-me voar.


Ir em busca da felicidade é escrever o que sinto, porque existem sonhos que se conquistam e se perdem e assim vou declarando a minha verdade. É continuar a escrever, porque a alma não fala e eu quero partilhar o meu sentir através de palavras até então silenciadas. Porque quero deixar escrito que quando estou aqui, comigo própria e convosco, esqueço o mundo lá fora. Porque quero manifestar o meu querer, a minha vontade, os sentimentos e momentos que guardei.


Ir em busca da felicidade é escrever no meu cantinho até sempre, porque é aqui que a minha alma voa através das palavras que dançam sem voz. É o abrir o baú dos meus sentidos por entre este silêncio mágico.


Mesmo que os momentos não se repitam, fica a lembrança da beleza que vivemos. E ao recordar esses instantes de sorriso aberto é, para mim, ir em busca da felicidade.


 


(Texto escrito para a Fábrica de Histórias, construído a partir de excertos de vários textos meus)

09 junho, 2009

Volta depressa para nós

 


Perdeste-te nos dias e ficaste do outro lado da vida. Não sei se voltas.


Fico deste lado entre lágrimas e sorrisos. São lembranças dos tempos de outrora que não se repetem. Passam os anos, separam-se as gentes da terra que nos viu crescer.


Onde ficámos nós? Afectos conquistados, laços construídos, momentos partilhados deixados para trás. Abro o álbum de fotografias e sinto uma angústia quase insuportável. As lágrimas caem e a alma dói. São vidas separadas por um destino incerto, viagens marcadas para lugares diferentes.


E choro. Choro por ti e por quem te guarda no coração. Choro, porque não consigo alcançar um sinal de esperança. E morrem os dias na agonia de nada poder fazer.


Tens de voltar, tens de viver. Há tanto que ainda tens por sonhar.


Espero o teu regresso, acendo uma vela e rezo por ti. Nas minhas preces reclamo o teu nome, imploro a tua vida.


 


 


a um amigo





05 junho, 2009

Voltar a ser criança

Querida mãe e querida avó,


 


Venho pedir-vos que me deixem ser criança até sempre.


Quero acordar de manhã, ficar nos vossos braços durante tempos infindos e receber os mimos que só vocês sabem dar.


Quando o sol brilhar, quero dar as mãos às manas e ir com elas para o quintal jogar à apanhada, ao elástico e saltar à corda.


Quero sentir o padeiro chegar e ir a correr para comer o pãozinho fresco. Sentar-me à mesa da cozinha a ver livros aos quadradinhos e, através da janela aberta de par em par, olhar para a avenida com as árvores recheadas de lilases.


Quero ver as lagartixas passarem rente aos canteiros floridos, apanhar as rosas vermelhas do roseiral, pendurar-me na nespereira e balançar-me até me cansar. Comer as laranjas e as tangerinas fresquinhas e saborosas e respirar o cheirinho da flor de laranjeira na Primavera.


À tardinha, enquanto o sol se vai escondendo lá ao fundo, quero brincar ao jogo das palavras e construir as casinhas de lego que vou inventando.


Quero que me deixem escapar para o olival acima do nosso quintal. Trepar pela figueira grande e esconder-me por entre as árvores enquanto vocês, minhas queridas mãe e avó, chamam por mim. Quero construir uma casinha no meu 'bosque'. É o cantinho onde guardo os meus segredos.


Quero brincar com os nossos gatinhos, apertá-los docemente nos meus braços e não os deixar partir.


Quero ir a pé para a escola sem medo e deixar as portas de casa abertas. Quero aprender a ler, a escrever, a desenhar, a pintar. Quero soltar gargalhadas de alegria nos intervalos e fazer uma roda de harmonia com os meninos e meninas da minha aula.


Depois da escola, quero ir com as manas e os amiguinhos à feira de Março andar no carrossel e nos carrinhos de choque, correr sem parar, cantarolar e comer algodão doce.


Nas férias grandes quero pôr a mochila às costas e, bem cedinho, caminhar saltitante até às piscinas para mergulhar, nadar e fazer golfinhos.


Quero ir à praia respirar o cheirinho do iodo, chapinhar à beira mar e construir castelos na areia até o sol se por.


Nas noites quentes de Verão quero subir ao telhado da nossa casa, sentar-me a ver as estrelas e deixar-me ficar a sentir a luz da lua.


Antes de adormecer quero que me leiam uma história de encantar, querida avó e querida mãe, e no final trocar convosco beijos de ternura.


Quero continuar a ser criança. Quero continuar na inocência, quero continuar a brincar.


 


 


(Texto escrito para a Fábrica de Histórias)

31 maio, 2009

A cor dos meus dias


(Palavras para uma imagem)


 


Há cores vivas que se cruzam e se fundem por entre o negrume dos dias. São as cores dos meus sonhos.


Há um cântico azul que aquieta a minha alma cinzenta. São sereias celestes que ondulam por entre as ondas brancas de um mar ciano. Para lá dos oceanos, o céu vai mudando de cor. Do amarelo nasce o laranja solar que se esconde num horizonte pintado de uma cor indefinida. É um misto de cores brilhantes que se reflectem na areia dourada que piso.


Do dia se faz noite e mudam-se as cores. Há estrelas de prata que dançam no céu e a lua cintila de branco.


E permaneço num sonho, qual fantasia colorida que se cria. É verde como a relva suave de um campo florido.


Uma chuva cristalina cai sobre nós e dançamos ao sabor de uma paixão que nos é púrpura.


E pinto-te. Pinto-te a ti, pinto-me a mim. Pinto-nos em telas brancas e deixo as cores do que te sinto. Há pinceladas rubras que ficam marcadas.


Em redor de nós, um cenário tingido com as cores do arco íris.


 


 


(Texto escrito para a Fábrica de Histórias)

29 maio, 2009

Untitled

Sem tempo...


 



(imagem retirada daqui)


 


Mas com os meus amigos no pensamento...


 

24 maio, 2009

Heróis e heroínas

Quando era criança pensava que heróis e heroínas eram personagens dos contos de fadas, príncipes que salvavam belas adormecidas. Pensava que um herói fazia parte das histórias de encantar que a nossa mãe nos lia junto à cabeceira.


Um herói é muito mais do que os livros nos transmitiam e que o nosso imaginário conseguia atingir quando meninos e meninas inocentes.


Para mim, um herói é quem entra na nossa vida e nos faz sorrir espontaneamente, é quem nos oferece carinho gratuitamente, é quem nos lembra com saudade e não tem medo de mostrar ao mundo o quanto gosta de nós.


Um herói pode entrar na nossa vida devagarinho ou subitamente, mas consegue preencher a nossa alma a cada dia lembrando-nos de que tudo tem uma razão, tudo vale a pena e nunca devemos desistir dos nossos sonhos.


É a presença da alma que faz de quem quer seja um herói ou uma heroína. Porque há uma serenidade transmitida através de um apoio emocional sem limites e, apesar da distância, há uma proximidade sólida que se vai construindo.


Há quem esteja presente mesmo que longe de nós, demonstrando aquele conforto que tanta falta nos faz, através de uma palavra ou de um pequeno gesto que o torna num tão grande gesto.


Os heróis ouvem a nossa voz e deixam-nos chorar, ajudam a secar as nossas lágrimas e fazem-nos sorrir, deixam-nos palavras de esperança e ajudam-nos a sonhar no vazio do nosso pequeno mundo.


Heróis podem ser todos aqueles que, mesmo na ausência, estão presentes e conseguem fazer chegar até nós uma força inigualável, incomparável.


Heróis são quem nos ajuda a concretizar um sonho.


Esses sim, são os verdadeiros heróis e heroínas que transformam toda uma vida, deixam-nos de alma a voar e nunca, mas nunca se esquecem.


 


 


(Texto escrito para a Fábrica de Histórias)

17 maio, 2009

Encontro desencontrado

A campainha tocou naquele fim de tarde de Julho. Laura abriu a porta e Duarte entrou. Olharam-se durante breves instantes e acabaram num abraço de saudade, longo e apertado.


 


- Que linda.. - disse Duarte numa expressão ternurenta.


- Obrigada - respondeu Laura.


- A casa... mas tu também... - retorquiu Duarte com aquele sorriso matreiro que lhe era peculiar.


Laura acompanhou-o até à sala e sentou-se. Parecia manifestar uma certa timidez mas, ao encostar-se comodamente no sofá, começou a declarar a razão da sua visita.


- Estar aqui é um sonho tornado realidade.


- É verdade o que me dizes ou brincas, como sempre o fizeste?


- Preciso dizer-te a verdade. Fazes ideia de quanto tempo esperei por este momento?


- Não calculo e não consigo sequer imaginar. Este momento parece-me surreal. Mas fala, então.


- Sabes que há muitos anos, era eu miúdo, achei-te linda quando te vi pela primeira vez. E o meu coração bateu.


- Apesar de me parecer impossível, é quase inacreditável que só mo digas agora.


- Naquela tarde estava sol. Recordo-me como se fosse hoje. Estava sentado numa mesa da esplanada da praça... aquela que costumavas frequentar...


- Lembro-me que ia sempre a essa esplanada nos fins de tarde...


- Tu chegaste, alegre e descontraída como sempre, acompanhada de uns amigos que eu também conhecia. Aproximaste-te e sentaste-te.


- É natural. Sempre fui assim, bem disposta. E disse boa tarde com certeza. Digo sempre.


- Disseste. Mas não olhaste para mim. Nunca olhaste.


- É provável. Eras mais novo.


- Sim, era novo e idiota como os miúdos daquela idade. Tu, mais velha e madura, como poderias olhar para mim?


- Tens razão. Não olhei para ti. Não naquela altura. Mas uns anos mais tarde, não me foste indiferente.


- Já lá vão alguns anos, sim. Mas sempre que me aproximava, tu fugias.


- Verdade seja dita. Eu fugia mesmo. Porque quando te encontrei ao fim de tanto tempo e te vi a sorrir para mim, o meu coração bateu mais forte.


- E que razão era essa que te fazia fugir de mim?


- A minha razão. Afastar-me de ti seria a melhor atitude para contrariar o sentimento que começava a germinar dentro de mim...


- Sabes, já passaram muitos anos depois daquela tarde. E outros tantos depois do nosso reencontro. Agora, sou aquilo que vês e já não tenho tempo...


- E eu sou aquilo que sempre fui, apesar das mágoas que foram surgindo ao longo do meu percurso.


- E o destino mudou o rumo à minha vida.


- Não alterou apenas o rumo da tua vida. O destino desviou os nossos caminhos. Existe alguma força superior que não quer que nos juntemos. Lamento por ti, lamento por mim. Lamento por nós.


- Eu também. Muito mesmo.


- És feliz, por acaso? - perguntou Laura sem pensar.


- Tento ser.


- Desculpa dizer-te, mas se tentas ser é porque não o és. Não na sua verdadeira essência.


- Tenho alturas em que sou.


- Tens momentos, o que é demasiado importante. Posso, então, confessar-te uma coisa?


- Sim, podes e deves.


- Foste o meu príncipe encantado. Terias sido até sempre. Foste o homem que quis para ficar a meu lado. Mas transformaste-te num sapo - soltei um riso suave.


- Se pudesse, mudava-me hoje mesmo para aqui, mesmo sendo um sapo - sorriste.


- Nunca. Não quero partilhar o meu espaço com ninguém. As relações saudáveis já não existem. O namoro é mais duradouro, aquele em que cada um vive na sua própria casa.


- Mas estar aqui contigo faz-me esquecer o mundo lá fora. Se bem que agora é tarde.


- Posso perguntar-te porque é que não lutaste por mim, já que o que sentias era assim tão imenso?


- Porque sabia que iria ser em vão.


- Nada é em vão. Há que tentar conquistar quem para nós é deveras importante.


- Não conseguiria. Como já disse, nem para mim olhavas. Eu para ti não existia.


- Disseste há pouco que agora é tarde. Mas nunca é. Não para tentar recuperar o que se perdeu. Não para se ser feliz. Mas, neste caso, até és capaz de ter razão. Provavelmente, é mesmo muito tarde.


- Sim, o nosso encontro chegou a más horas e nada entre nós vai ser possível.


- Sensato da tua parte. Além disso, a nossa diferença de idades é grande e depois eu ficava velhinha. Já tu... - Laura brincou com uma tristeza no sorrir.


- Poderias até ter setenta anos, que eu iria sentir por ti a mesma coisa... - disse Duarte com uma lágrima no olhar.


- Sempre gostaste de brincar - disse Laura com um nó na garganta.


- Não chores agora, por favor - pediu Duarte, com um sorriso triste.


- Não...


- Eu tinha de dizer-te tudo isto, fosse em que altura fosse e em que dia fosse. E foi hoje.


- Mas porquê tantos desencontros? Temos estado tão perto um do outro e ao mesmo tempo tão longe. Porque é que a vida é tão cruel?


- Não sei.


- Podíamos ter ficado juntos. Podíamos ter sido felizes...


- Podíamos, dizes bem. Porque eu não tenho nada para te dar...


- ... - Laura não conseguiu proferir uma palavra.


- Tenho de ir trabalhar. A minha hora de jantar já terminou. - disse Duarte ao olhar para o relógio.


- Mas não jantaste...


- Tinha de falar contigo. E poderia não ter tempo noutro dia qualquer.


- Já vais, então..


- Sim...


 


Laura acompanhou-o até à porta e o seu abraço repetiu-se, desta vez menos longo e mais suave. Ao vê-lo sair teve a certeza de que, depois de tantos desencontros entre ele e ela, um encontro como aquele não voltaria a repetir-se.


 


 


(Texto fictício escrito para a Fábrica de Histórias)

13 maio, 2009

Encontros e desencontros

Cruzo-me contigo pelas ruas da cidade. Passas apressado numa condução veloz, ligas as luzes de emergência e fazes soar o alarme. Salvas vidas, extingues incêndios, ajudas crianças a nascer em plena viagem. Há pessoas feridas que te deixam uma palavra de apreço e lavas-te em lágrimas por uma perda humana. Sais à pressa para mais um incêndio e eu vejo-te partir com furor. Permaneço na esperança de que fiques a salvo, mas tu não sabes que rezo por ti.


Combates as chamas que lavram as matas, incendeias a alma por entre o arvoredo que teima em queimar. Salvas do fogo animais perdidos que te lambem o rosto em sinal de gratidão.


Regressas exausto de mais uma luta e soltas um sorriso para ninguém perceber. Observo-te através da vidraça e vejo-te conversar com pessoas encontradas ao acaso. E eu estou ali, tão perto de ti, mas tu não sentes a minha presença. Contemplo-te num disfarce veloz na esperança de alcançar um sinal, mas tu não me vês. Vou até junto de ti, mas quando chego está apenas o lugar que deixaste ficar.


Cruzas-te comigo pelas ruas da cidade. Passas por mim no teu andar compassado  e aprontas-te para mais uma batalha. Os nossos rostos encontram-se, trocam-se os olhares, mas nenhum de nós pára para estender a mão. Quero aproximar-me, partilhar a minha vida com a tua, mas há uma distância que nos separa. Imagino o que poderíamos ser e as palavras ficam guardadas em silêncio. Sei quem és, mas não sei o que sentes. Sabes quem sou, mas não me conheces.


 


 


(Texto fictício escrito para a Fábrica de Histórias)

08 maio, 2009

Perdas materiais

Há muitos anos, fui passar férias à Póvoa de Varzim com a mana e um grupo de amigos. Ficámos em casa de uma pessoa conhecida que morava perto da praia, no rés do chão de um prédio na avenida principal. Depois de uma noite de folia, acordei no dia seguinte e resolvi lavar a roupa que tinha usado bem como os ténis. Lembro-me que eram uns puma brancos que eu adorava e que, por sinal, se encontravam um tanto ou quanto sujos, não fossem as pisadelas que havia levado na discoteca. Depois de lavá-los, coloquei-os no parapeito da janela da cozinha que ficava virada para a avenida. O dono da casa, ao reparar no que que eu acabara de fazer, alertou-me para retirar os ditos ténis dali porque poderia passar alguém e roubá-los. Eu, incrédula, levei o aviso para a brincadeira e deixei-me ficar sentada no sofá da sala enquanto aguardava que as sapatilhas secassem. Como o calor era muito, dali a pouco tempo fui à cozinha e olhei através da janela. Abri a boca e soltei um 'não acredito!' que chamou toda a gente da casa para junto de mim. Os meus ténis favoritos não estavam lá! Tinham sido roubados! Quase chorei ao ouvir o meu amigo dizer 'eu avisei-te!'. Era tarde demais e nada havia a fazer a não ser lamentar o sucedido. Não ia conseguir recuperar os puma, por isso não adiantava chorar sob o leite derramado. Sim, porque a culpa tinha sido minha por não ter dado ouvidos ao meu amigo.


Como se não bastasse, no dia seguinte fomos à praia e decidi levar uma saia branca com flores às cores que eu adorava, tanto como aos ténis perdidos. Por cima da saia, uma camisola comprida. No final da tarde, depois de um dia de areia e mar, fomos à esplanada da praia comer um petisco e beber umas cervejinhas. Lembro-me de colocar a saia nas costas da cadeira e de ficar apenas com a t-shirt vestida, para que o sol queimasse as minhas pernitas magritas. A alegria era tanta que, depois de uma cervejinha, vai mais uma rodada e assim sucessivamente. Risada para aqui, gargalhada para acolá, foi-se aproximando o por de sol. Levantámo-nos e, de toalhas ao ombro, fomos em direcção a casa para nos prepararmos para jantar fora. Senti-me vazia, faltava-me algo. A saia! Onde estava a minha saia?


No dia seguinte, antes de irmos para a praia, fui perguntar ao senhor da esplanada se havia encontrado uma saia que, eventualmente e provavelmente, ficara nas costas de uma cadeira. A resposta foi 'não, menina'.


Chorei como uma criancinha mimada e os meus amigos ainda se riram de mim!


Em poucos dias, numas belas férias, perdi uma saia e um par de ténis. Inacreditável!


Culpa minha, claro! Só não perdi a cabeça, porque estava agarrada ao pescoço.


 


 


(Texto baseado em factos verídicos para a Fábrica de Histórias)

29 abril, 2009

De um Amigo Encantado

Um mimo de encantar vindo de um amigo encantado... o meu amigo José A.


 



 


E das palavras cultivadas num vaso adornado de um imaginário ininterrupto, brotou uma amizade encantada que cresce a cada dia... qual passarinho que poisa em redor de uma taça pintada de sonhos... há um companheiro por perto que abre as asas para o abraçar ...


É uma dança de afecto que se estende numa nuvem...


 


Obrigada pela amizade que conseguimos construir, querido José...

21 abril, 2009

Dança, Sonho Meu

 



 


O meu sonho era dançar até sempre. O sonho da dança ritmada dos corpos, dos movimentos suavemente compassados e incessantes. Estender-me num palco de emoções corporais, soltar-me por entre uma agitação lenta dos sentidos. Elevar-me na fantasia das pulsações harmoniosas de uma dança eterna. Levitar.


Mas o destino não quis e ainda hoje choro pela ausência da dança, sonho meu.


Sonhar a dança, existir na dança, viver a dança. Perdi-a, mas continuo a sonhá-la. Não lhe pertenço, mas ela existe em mim. Deixei de vivê-la mas subsiste cá dentro, bem no fundo da minha alma.


E pela perda desta essência de mim, por este sonho que não alcancei... não sei se existo ou se existi, não sei se estou viva ou se morri...


 


 


(Texto criado a partir de um poema elaborado em 3 de Novembro de 2007)

12 abril, 2009

O meu Amigo José fez anos ontem

 


O meu desejo de feliz aniversário surge tardiamente, meu querido amigo José, mas estou aqui e agora para te deixar este miminho. Acredita que não te esqueci naquele que foi mais um dia especial para quem considero um grande homem, um grande amigo, um verdadeiro sobrevivente. Tu, José.


Atrasados, mas...


 


 


 


Espero que o teu dia tenha sido preenchido com tudo de bom que mereces. Miminhos, prendinhas boas, abracinhos apertados e muitos, mas muitos sorrisos... Tudo na companhia de quem amas.


Muito obrigada pela tua amizade, que tem sido tão importante para mim... Conhecer-te foi uma pedra preciosa que encontrei no meu caminho...


 


Sê feliz, meu querido Amigo!