Às vezes, de noite, subo ao telhado do sótão, sento-me a ver as luzes da cidade e o frenesim do fim dos dias e penso que gostava de ficar ali para sempre. L.T., a Ametista
Ultimamente, tem sido assim. Muitas partidas, muitas despedidas. Todas dolorosas, cada uma de forma diferente.
Hoje, a minha alma está vazia. Não tem palavras doces ou pensamentos poéticos. O único poema é ter acenado, uma vez mais.
Estou zangada. Zangada com Deus, com os seres superiores, com algo, sei lá. Estou zangada por teres ido cedo demais, por te terem levado para outra dimensão ou para um sítio que ainda ninguém soube explicar ou descobrir.
Já não há lugar para gargalhadas.
Temos perdido tanta gente da nossa terra. Uns com mais idade, outros com menos e outros tão mais novos. Amigos, conhecidos... sei lá.
A vida passa a um vazio atroz. A injustiça do destino revolta-me, é insuportável a tristeza que fica, sem retorno. E quando não há maldade, mas apenas bondade e sede de viver, a fragilidade da ausência é tão maior.
E assim tudo acaba, de um dia para o outro.
P.S. Ainda hoje dizíamos uns aos outros: 'mas quando nos encontramos é sempre neste lugar?, que tristeza. Bem, vimos todos aqui parar, mais cedo ou mais tarde'.
Sapinho, não nos deixes, pedi eu há pouco no Sapo Blogs.
Não te vás embora, Sapinho. Foste tão importante neste percurso da blogosfera e está a ser difícil dizer adeus.
Esta adeus é, infelizmente, para sempre.
E para sempre é algo que nunca mais volta e que tão especial foi para
nós. Aqui existia proximidade entre todos os que por cá andavam, por uma
razão ou por outra. Ninguém precisava de foto de perfil para se juntar a
outro. As palavras falavam por si. Sim, porque nem sempre as palavras
falam, muitas vezes dormem no silêncio.
Bem, este post vai ser longo e cheio de recordações. No 2.º aniversário deste blog, escrevi assim:
O sótão já não é cor de rosa, apenas a
sua envolvência, para que algo fique da anterior morada. O gato preto
não significa azar, antes pelo contrário. Este título é uma metáfora.
Quem me conhece, compreende
Obrigada pelo destaque 'de mim' e de todos os outros 'companheiros' desta caminhada que chega ao fim..
O meu coração está apertadinho, ainda me custa a crer que é
mesmo um adeus para sempre. O Sapinho vai ficar sempre comigo, a alma é
imortal.. Obrigada, uma vez mais, à grande Equipa que tornou este
mundo possível. Em todos os blogs que tenho visto por aqui, leio que o
sentimento é o mesmo. A tristeza transborda e a saudade vai ficar. Como é
possível acabar um mundo tão maior...?
A Blogspot que me perdoe, mas gostava muito mais de 'trabalhar na fábrica' do Sapo Blogs. Tudo era tão mais interessante, desde a construção de novos blogs a variadíssimos temas para nos sentirmos mesmo em casa, o que acabava por acontecer. As configurações eram interessantes de explorar para aplicar. Cada um de nós criava o seu blog como se fosse a sua verdadeira casa e tudo era tão mais simples e bonito.
Falo assim, porque continuo triste por a plataforma que nos acolheu tão generosamente há tantos anos, vai acabar de vez. Ainda me parece impossível, mas é esta a realidade.
Desculpa Blogspot, mas preciso de tempo para me consciencializar da ausência do que sempre me acompanhou.
Faltam-me as palavras para completar tudo o que me vai na alma, faltam-me as palavras dos sentimentos que me falham na ausência. Ausência de quem puxava por nós, criava desafios, tão mas tão imaginativos, e aliciava todos os que estavam presentes a participar.
Trabalhei durante muitos anos por turnos, turnos horrivelmente solitários ou terrivelmente dolorosos e, sempre que chegava a casa, fosse de dia fosse de noite, a minha direcção era a secretária do computador para participar nos desafios dos blogs amigos do Sapo, criar histórias, partilhar vivências, conhecer pessoas fantásticas. O Sapinho ajudava no processo, porque havia vias de conhecimento, de contacto verdadeiro, sinceramente e falando por mim, nunca me aconteceu nada da qual me possa queixar no que se refere ao contacto com quem conheci na blogosfera, antes pelo contrário.
Agora, estou ou estamos neste mundo novo para nós.. não sei se sentem o mesmo que eu...
(Imagem encontrada algures há muito tempo sem referenciação de autor. Foi imagem de cabeçalho deste blog. Adoro)
Arrumei
a ametista no fundo do baú guardado num canto da antiga sala de
costura. Encerrei um capítulo de memórias vãs na urgência de esquecer.
Fui em busca do meu nome e encontrei-o nas asas que perdi. Estavam
presas aos ramos da árvore que conforta o meu velho sótão, outrora
cinzento. Pincelei as paredes de cor de rosa, o tecto, a janela, as
portas, os móveis antigos. Inventei o céu da mesma cor em seu redor e
voltei a voar. O meu sótão é cor de rosa. Como são todos os meus sonhos.
__________ / /__________
M. esperou dois mil e sessenta e cinco dias por alguém que, afinal, não conhecia. Foi
ao fundo do baú, guardado num canto da antiga sala de costura do velho
sótão, agarrou na ametista, saiu de casa e lançou-a ao vento. Pensa que
caiu ao rio e foi levada pelas tempestades. D. fora a maior (des)ilusão
da sua vida e M. não encontrara o lugar da felicidade. Mudou de nome e
pintou o sótão de cinzento. Pincelou as paredes, o tecto, as portas, os
móveis antigos. Abriu a janela, viu o céu da mesma cor e não conseguiu
voar. As asas tinham voltado a prender-se aos ramos da árvore que
ensombrava o velho sótão, outrora cor de rosa. Enquanto varria a
poeira do passado que estremeceu a sua vida, encontrou um gato preto
junto ao baú, que olhava para ela como quem pede carinho maternal. Pegou
nele ao colo, passeou com ele, comprou-lhe uma alcofa, educou-o e fez
dele sua companhia. Quem sabe não lhe daria sorte, em vez daquele azar
tão temido pelos supersticiosos mais convictos? O nome do gato? Ainda
hoje não tem, não vá o destino pregar-lhe mais alguma partida. Afinal,
tudo tem a ver com nomes. M. chama-lhe, apenas, gato preto.
Este foi o comentário que deixei à equipa do Blogs do Sapo quando soube da sua descontinuação:
'Quando soube do futuro desaparecimento da plataforma senti um murro no estômago. Fazer parte deste mundo ajudou-me a dar a conhecer a minha escrita, inclusive a lançar um pequeno livro online, e a ganhar força para editar outro. Conheci pessoas fantásticas através deste mundo tão maravilhosamente diferente, tão melhor e maior do que o das redes sociais. Apesar das minhas ausências, sempre senti que aqui ficaria para sempre.. Desde 2007 que aqui estou e tão feliz que fui convosco. Sinceramente não sei para onde ir, mas sei que não quero perder as memórias de quase 20 anos de blog. Obrigada a todos. A saudade vai ser dolorosa, sinceramente. E agora.. para onde ir? E os amigos? Vamos perdê-los? Estou mesmo triste..
No dia de hoje:
Estou aqui, apesar de ainda não ter conseguido exportar os conteúdos do meus blog. Encontra-se, portanto, em construção:
Ainda agora estou a exportar os conteúdos do meu blog do sapo, plataforma que vai deixar de existir, sem saber se vou conseguir.
É tudo muito estranho... em 2007 entrei no mundo da blogosfera, escolhi o Sapo Blogs que, ao fim de quase 20 anos, chega ao fim.
Não sei se vou conseguir passar todo o conteúdo para este meu novo blog, mas vou tentar. Gostava de reencontrar velhos amigos destas andanças e que, por sinal, se encontram na mesma situação que eu.
Como funciona este 'novo mundo'?
Aqui no computador já não consigo entrar no antigo blog, pelo menos hoje, mas no telemóvel consigo aceder. Ainda está a exportar os conteúdos e a gerar ficheiros. Só queria recuperar o que construí ao longo de tantos anos.
O nome do blog será um dos que tive e que mais sentido fez para mim, apesar do endereço ser conforme o anterior. Continuarei, também, a ser a Ametista, pseudónimo que escolhi desde o primeiro dia, apesar de já me identificar, sem qualquer tipo de problema.
Se alguém, por aí, estiver com dúvidas tal como eu, diga algo. Vamos ajudar-nos. Não quero deixar a blogosfera, nunca.
Nunca fui aquilo que quis ser. Fechei-me numa bolha abismal, por não conseguir ser o que realmente sou (ou era). Fui, apenas, aquilo que disfarçava pelas noites e que realmente não era. Eu, que queria ser livre como um pássaro, voar por onde era chamada a ser feliz. Eu, que queria ser mar e areia e paz, onde morava a minha eterna fantasia. E agora que tudo acabou, agora que já não tenho o azul onde ficar, morro aqui onde não quero, deixo-me ficar porque já não posso ir.
É tarde, tarde para devaneios dispersos, tarde para ser o que não fui. Tarde para ser eu, essência do vento nos cabelos, essência da maresia na pele. Afundo-me em ondas sem sal, aquieto-me numa praia sem areal e morro assim, sem mim, sem nada. Sou o exemplo do vazio, que toda a vida quis ser liberdade mas viveu prisioneira dos demais. E agora?, agora é tarde para voltar, já nem o mar me espera nem a areia nem nada, estou à mercê da sorte ou do azar.
Não gosto de casas ocas. Não gosto de paredes vazias. Não gosto de janelas por abrir, portas sem varanda com vistas por descobrir.
Não gosto do barulho dos vizinhos. Não gosto do vento feroz. Gosto do cântico dos pássaros em fins de tarde de Verão. Gosto da cor das noites, do silêncio das estradas.
Não gosto de rostos sisudos. Não gosto de frases feitas. Gosto de sorrisos cúmplices, de amizades acabadas de fazer. Gosto de palavras soltas, de versos sem rima.
Não gosto do vazio. Não gosto de folhas brancas. Gosto de livros velhos, de páginas amarelecidas. Gosto de álbuns de fotografias com negativos por revelar.
Não gosto do aroma dos dias de hoje. Gosto do cheiro da infância, da casa dos avós, dos sótãos e dos quintais, dos gatos que já não estão.
Não gosto de memórias, não gosto de saudade. Não gosto de sonhos que não passam disso mesmo, não gosto de ilusões.
Não gosto do mundo. Não gosto do que vejo, do que oiço, do que prevejo. Não gosto do que sinto.
É urgente voltar. Disse-o tantas vezes e, tantas vezes, o senti. Voltar, voltar, voltar. Ler, reler, rever, reviver. Mas foi tanto o que se perdeu. Amigos que já não voltam, amigos que já nem sei, nem eu já me reconheço.
Passaram os anos, tantos. Mas nada voltará a ser igual, nada voltará a ser parecido.
Mas há quem tenha permanecido. Já revisitaste quem ficou, Leonor?, pergunto-me. Não, só às vezes. E as palavras, onde estão? No vazio da memória.
Que faço eu agora, depois de ter sido tão feliz neste lugar? Como fujo desta solidão? Como encaro o passar dos anos, a velocidade do relógio da cozinha que teima em olhar para mim todas as manhãs e, na sua correria veloz, me diz?:
Estás a envelhecer e não consegues aceitar. Estás a envelhecer e já não acreditas na humanidade. Estás a envelhecer e a saúde a fraquejar, mas manténs aquele espírito de criança. Estás a envelhecer, sim. Deixaste de ser uma miúda há muito tempo.
E a caneta? Onde a perdeste? Onde ficou a máquina de escrever do teu avô? Na prateleira, à espera dos teus dedos.
Maldito relógio, que tem voz e me fala. Será delírio?
Longe vão os tempos em que a escrita era a minha companheira, confidente, e a caneta escorria por entre os meus dedos e tudo fluía, as palavras dançavam por entre lágrimas e sorrisos.
Mas era feliz. Feliz na minha tristeza (in)constante. E agora estou aqui, como se o passado tivesse voltado, como se o relógio pudesse inverter os seus ponteiros.
Envelhecer corrói e a saudade mata.
Que fazer? Fico? Ou parto de vez? Não. Não consigo afastar-me do mundo que me transformou e me ajudou a acreditar em sonhos (im)possíveis.
Obrigada a quem ficou, a quem nunca desistiu, a quem nunca abandonou a magia da blogosfera.
Dei por mim a fumar um cigarro apagado a meio da noite.
Havia palavras soltas por todos os lados, lembranças que ficaram perdidas algures no meu sótão. Um copo vazio, cheio de lágrimas secas pelo tempo.
Saudades daqui, deste recanto que já teve tantos nomes, tantos rostos. Sobre a avenida assim ficou, parado nas horas que correm apressadas. Pobre sótão, o sossego tornou-se tão maior.
Tantas foram as danças em silêncio que se perpetuaram neste lugar, a minha alma perdeu o seu calor.
A Ametista permanece. Continua deitada sobre as ondas de papel em branco, adormecidas num sono frágil e prolongado. As letras escorreram por entre os dedos pálidos, sem caneta.
É urgente voltar. É urgente ficar. Para sempre. Aqui (re) nasci, aqui vivi, aqui fui feliz. Aqui quero ficar.
Não. Não esqueço. Como poderia esquecer? Momentos únicos, genuínos, sem maldade, com sorrisos e vontade de viver. De tocar aquela felicidade que existia e já não se encontra. Como poderia esquecer-me, como poderia esquecer-te? De ti, de mim, de nós...
Esta música é-nos dedicada e a tudo o que vivemos juntos. A vida separou-nos, aquela que, na sua injustiça, amaldiçoa os corações maiores. Mas jamais apagará as memórias que ficaram.
Ainda gosto de ti, sabes? Muito.
Vou, então, deixar-te o que ficou por dizer por diversas, imensas vezes. Demasiadas até.
Depois, veio o silêncio.
Gosto que me chames pelo nome
(imagem retirada de: google imagens sem referenciação de autor)
Esperei-te na despedida do nosso último Verão, o Outono tinha chegado antes de tempo, mas tu não vieste. As gaivotas gritaram em sinal de tempestade, o mar cantou com elas elevando as suas ondas, bem ao alto, e todos fugiram menos eu.
Continuei a esperar-te enquanto lia a carta que deixaste à beira mar junto à guitarra que sempre tocaste, tão melodiosas as tuas rumbas flamencas, nela estava marcado o teu último adeus.
Não quero acordar, tenho medo de não voltar a sonhar contigo, afinal só te vejo quando durmo e consigo ouvir-te chamar pelo meu nome. Gosto que me chames pelo nome, gosto que me olhes no silêncio que vem depois, quando entras nas minhas fantasias. Mesmo que não sintas o que quero, há uma história que se inventa e eu descubro. Vem mais vezes assim, em ilusão, vem para me amar mesmo que esse amor seja mentira, mesmo que se apague ao despertar. Gosto que me chames pelo nome. Assim acredito que estás perto, mesmo que a preto e branco nas sombras da utopia.
Os cálices estão cheios e espalham-se pelos atalhos do meu sonho, esperam pela marca dos nossos dedos, estão sedentos pelos lábios que secaram na ausência. São tantos os brindes à nossa história que nos esperam, são tantas as promessas. Há garrafas que guardámos para momentos especiais, quem dera darmos as mãos nas madrugadas a chorar, embebermo-nos em palavras por versejar. Consigo ouvir a tua voz sussurrar-me ao ouvido 'gosto do cheiro da tua pele' e depois? Depois, roubas-me em eco um beijo eterno.
Não sei se consigo sobreviver nas alvoradas, os sonhos não se realizam, tu sabes, mas desperto de uma quimera que se repete a cada noite e tu não estás, nunca estiveste, nunca estarás. Maldito amor que não existe, terrível destino incontornável, declarou-se na ruína das palavras. Levem-me daqui antes que sequem as águas do meu mar.
Ainda hoje espero por ti na despedida e chamo-te pelo nome, mas tu não me ouves nem sequer sabes que existo e eu parto para outro lugar onde não estejas, adormeço desta vez na ânsia de esquecer-te mas volto a sonhar. Contigo, sempre contigo a surgires sem aviso do nosso último Verão e a chamares-me pelo nome. Gosto que me chames pelo nome.
Não quero acordar, quero sonhar para viver-te mesmo que incompleto e deixar-me ir nesta magia. Depois podes ir e não voltar.
escrito em 25 de Setembro de 2015 e depois alterado
Do Amor dela por ele
(imagem retirada de: google imagens sem referenciação de autor)
Amo-te. Não desde o primeiro dia em que te vi, mas desde o momento em que me sorriste. Eras tão bonito.
Sim, amo-te. Talvez por seres a minha melhor recordação, a minha mais doce memória. Tenho saudades tuas. E agora, que faço com a saudade? Amarroto-a como a um pedaço de papel, deito-a ao vento, arranco-a de mim? Ensinas-me como se faz? Ou confesso-me a ti e digo que ainda te amo depois de tantos anos? Eu sei que um dia vai passar, eu sei, mas fazes-me falta nas tuas gargalhadas. Faltam-me as tuas mãos para dar, o teu beijo oferecido com verdade e o abraço que me tirava os pés do chão.
Um dia perguntei-te se dançavas comigo e tu disseste que não sabias. Nunca tiveste jeito para dançar, trocavas os passos, lembras-te? Mas, mesmo assim, dançámos num tropeço e nada mais importou. Podia ter morrido de amor nessa dança. Fomos tão felizes.
Queres envelhecer comigo? Seria bom que pudéssemos escolher com quem ficar e essa escolha fosse recíproca. Escolhia-te a ti para partilhar o que ficou do nosso intervalo.
Sonhar alto é sonhar-te. E eu sonho-te tanto. Espero por ti ou encontramo-nos para lá das estrelas, um dia, quando formos alma?