26 dezembro, 2017

do Natal - Uma bruxa diferente

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 (crédito de imagem: Nico Niemi em Pinterest)


 


Querida bruxinha,


 


Sou uma menina pobre, sem pai nem mãe, e não acredito no pai natal. Cresci com a vizinhança que me adoptou, quando perdi aqueles que me puseram no mundo, mas com a certeza de que um dia alguma arte mágica nos ofereceria dias melhores.


Estou a escrever-te esta carta com um lápis partido e por afiar, num guardanapo de papel amarrotado que encontrei sobre a mesa da cozinha, no meio dos pratos vazios que esperam pelo pão da manhã e dos copos com água do rio para cada saciar de sede.


Posso dizer-te, no entanto, que sou feliz quando brinco com as outras crianças do bairro. Jogamos à apanhada, à cabra-cega e cantamos numa roda viva de mãos dadas. Acredito, também, que neste nosso mundo de carência o amor está sempre presente e a amizade é sentimento que não morre.


Um dia falaram-me de ti. Disseram-me que vives no meio do arvoredo de um bosque onde todos têm medo de entrar, numa casinha feita de canas de madeira com móveis de verga. Contaram-me que tens um caldeirão de barro a um canto da sala e, junto à janela que te inspira nas noites de luar, guardas uma vassoura, um chapéu de bico preto, um baú com poções mágicas e uma abóbora. Sabes? Disseram-me que sabes voar.


Desde então, criei uma fantasia sobre ti e acredito que, depois do bater das doze badaladas no relógio da torre da igreja e quando a aldeia dorme, te entregas aos teus feitiços mais secretos. Depois, pões dentro de um saco de pano molhos de desejos, aqueles que vais conceder, saltas para a tua vassoura até levantares voo, tocas o céu com os dedos a sorrir e espalhas sobre os telhados dos bairros sem abrigo pozinhos de bondade misturada com pedaços de sonhos para realizar.


Queria pedir-te dois desejos. O primeiro, que me tragas um livro, apenas um, sobre histórias de encantar. Pode ser? Gostava tanto de entrar no universo dos contos coloridos, onde há castelos e florestas verde esperança, príncipes que salvam belas adormecidas e em que há sempre um final feliz. O outro desejo, que é demasiado grande, é pedir-te que me leves a ver o mar. Dizem que é azul e imenso e que chora a cantar nas madrugadas. Sei que tem ondas de espuma branca que abraçam a areia num vaivém sem fim. É verdade que o mar tem sabor a sal?


Dizem os mal-aventurados que as bruxas são más e os seus truques perversos mas, desde que ouvi o teu nome pela primeira vez, senti que as tuas artes de feiticeira são para conceder os desejos das crianças que não sabem o valor das coisas belas. Tenho uma amiguinha que partilha deste meu segredo e, tal como eu, acredita em ti.


Preferia chamar-te fada, condiz mais contigo porque falam que, por detrás dessa capa preta e debaixo do chapéu que te disfarçam, está um corpo com pele de seda, branco e frágil, e um rosto formoso como o de uma princesa. Gostava tanto de te conhecer um dia, entrar no teu mundo de magia e saltitar na tua vassoura pelo bosque.


Fada-bruxa, posso pedir-te só mais um desejo? Ensinas-me a voar?


 


Da menina que não acredita no pai natal mas crê em ti, que és uma bruxa diferente.


 


in "O Despertar dos Silêncios"

24 dezembro, 2017

Momento alto da noite

O grande momento da noite no The Voice Portugal. Até na queda a Marisa mantém a postura. O amor é lindo 


23 dezembro, 2017

Feliz Natal

Há dez anos atrás, aquando do meu primeiro blog, escrevi um pensamento e dediquei-o a todos os meus visitantes.


Deixo-vos, assim, o desejo que tenho vindo a demonstrar em palavras. Para além de ser dirigido aos que me lêem, é dedicado a todos os que não podem ter um Natal melhor.


 


Que os vossos desejos


venham embrulhados de saúde


e envoltos em laços de carinho.


Que vos seja permitido acreditar


na realização dos vossos sonhos,


dia após dia.


 


Feliz Natal para todos!

Também gosto de acreditar

Encontrei esta imagem e achei que era adequada...


 


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(imagem encontrada no facebook)

11 dezembro, 2017

The Voice Portugal com Tomás Adrião

Sempre segui o The Voice Portugal desde a sua estreia e, a cada ano, vibro intensamente ao ouvir grandes talentos e tenho sempre os meus favoritos. Adoro programas que dão a conhecer vozes fantásticas do nosso país.


Hoje, mais uma vez, acompanhei o The Voice e, apesar de dois dos meus concorrentes preferidos terem abandonado o programa através da votação do público, foi maravilhoso de ver.


Houve, no entanto e na minha opinião, uma prestação que se destacou das restantes e penso que não terá sido indiferente a ninguém atento ao concurso.


Tendo sido considerado um artista dos pés à cabeça por Tiago Pais Dias aquando da sua actuação, igualmente fenomenal, a semana passada com o tema A Gaivota do álbum Amália Hoje lançado pelo projecto pop português Hoje, só me apraz dizer que este rapaz transpira música. Para não falar do E depois do Adeus brilhantemente interpretado pelo nosso Paulo de Carvalho e não menos maravilhosamente por este miúdo, tão talentoso, no tira-teimas do programa.


Eis Tomás Adrião com Sol de Inverno da nossa grande Simone de Oliveira. Brutal. Este rapaz fez-me vibrar e chorar. De emoção.


 


06 dezembro, 2017

Para sempre Zé Pedro

Ze-Pedro-Xutos-770x410.jpg(imagem retirada de: google imagens)


 


A notícia chegou, inesperada, naquele último fim de tarde de Novembro. Ainda me sinto atordoada.


Não consigo imaginar Xutos & Pontapés sem Zé Pedro. Uma banda com uma grande essência, que sempre fez parte da minha vida e me trouxe longos momentos de música memoráveis. Fui a mais de uma dezena de concertos e vivi cada um deles com a mesma intensidade. Uma intensidade estonteante, porque cada concerto era sempre único e vibrante. E eu dançava, saltava e cantava. Cantava muito, até à rouquidão. No fim, saía de alma cheia. Eu e todos.


Não imagino Portugal sem Xutos. Nem Xutos sem Zé Pedro. Perdeu-se um talento de um homem bom. Fica o seu legado. E a memória do sorriso.


Grande tristeza. Para sempre Zé Pedro.