Encontrei-te na outra noite, trazias contigo aquele sorriso de criança e o olhar cândido que me fez prender a ti no mais inesquecível dia de Primavera. Não mudaste, continuas com esse teu ar de miúdo traquina, não consegui resistir a dizer-te que não envelheceste nem um pouco.
Ao olhar através do verde escuro dos teus olhos, vieram-me à lembrança recordações de nós, viajei nas melhores memórias que vivemos, embalei no tempo dos abraços e das mãos que se deram na mais bela história de um amor que não se repete.
Fomos felizes no tempo que foi nosso, arrecadámos para sempre as nossas horas que fizeram parar todos os relógios e nos deixaram ser nós mesmos. Deixámos guardadas na palma da mão as gotas da água cristalina dos rios derramados a nossos pés em fins de tarde primaveris e elas não escorreram por entre os dedos, lembras-te?
Ainda sinto na pele o aroma das marés que descobrimos, as correrias contra a demora nas areias, os passeios da sede de viver que saciámos no nosso deserto que, de ermo, se fez jardim.
Na outra noite revivi e renasci, atravessei o nosso mundo uma vez mais, encontrei-me ao encontrar-te a ti, abracei a árvore que plantámos numa soalheira manhã de fins de Abril e onde ficaram escritos, numa encosta, os nossos nomes. Nenhuma outra estação os abalou, nem os anos, nem o sol e a chuva os apagou, ainda sinto os beijos que nós demos e, no momento em que te lembro, consigo vê-los baloiçar sob os ramos.
Quis repetir o que ficou para trás, abri o baú das nossas vidas e dancei contigo na urgência de te ter, como também tu me quiseste no tempo das nossas madrugadas a florir. E foi tanto o quanto te quis que deixou de haver Verão, Outono e Inverno e escutei por entre lágrimas e sorrisos de saudade, como se fosse sempre Primavera, os solos de guitarra que só tu sabes tocar.
Fui buscar os segredos que ficaram presos à raiz da nossa história, percorri as viagens que fizemos de aventura às costas, passei nas estações de comboio onde parámos de corpos a cheirar a liberdade, sustive-me nos lugares onde ficámos perdidos na nossa essência de amar.
E ondulei na pele do teu rosto, senti os teus lábios nos meus cabelos, a nossa respiração tocou-se por entre a luz e a sombra das noites e fomos nós. Recebi das tuas mãos um cravo branco, reacendeu-se o palpitar dos nossos corações vindo da mais colorida estação, outrora confidente do mais sublime dos romances, e voltei a amar-te como nunca mais amei ninguém.
E eu quis que o tempo fosse todo nosso, quis tanto que parasse ao murmúrio da nossa voz e ao eco do silêncio dos sorrisos que são só meus e teus e quis, avidamente, que o mundo se calasse ao nosso abraço no mais doce amanhecer primaveril.
(Texto escrito em 13 de Dezembro de 2010, agora alterado e adaptado para a Fábrica de Histórias)
... é sempre bom voltar ao passado e recordar bons momentos ... até porque os maus momentos ao fim de algum tempo acabam sempre por paracer menos maus ...
ResponderEliminarParabéns, gostei muito do seu texto.
Beijinho
Bom, Leonor...
ResponderEliminar... poderás dizer que não estou bem, e poderás ter razão. Poderás dizer que exagero, mas aí já não terás razão. Poderás dizer o que for, mas... e estas lágrimas... quem as beberá???
Existem ali momentos escritos e descritos, sentimentos sentidos que são também meus, e de mais alguém...
Um beijo muito grande... obrigada...
ResponderEliminarOlá querida Ametista!
Adorei o teu texto. Muito intenso...lindo.
Beijinhos grandes.
Há momentos que deviam parar o tempo, como se carregassemos num interruptor qualquer, e assim poderíamos vive-los sem pressas, intensamente, enquanto eles nos fizessem felizes :) Gostei muito do texto. Um beijinho
ResponderEliminarJá todos disseram o que me vai na alma ao ler o teu texto.
ResponderEliminarLindo e sentido.
Durasse mais o amanhecer, mas "o que é bom, tem que acabar"...
Olá, Green
ResponderEliminarPorque as boas memórias ajudam-nos a sorrir..
E é bem verdade o que dizes.. o que nos pode parecer mau hoje, amanhã torna-se menos mau.. sem dúvida..
Fiquei feliz por passares.. espero que estejas bem..
Obrigada..
Beijinho :)
Olá, Natacha
ResponderEliminarNão adianta culpar o tempo, não é..? O coitado deve andar cansado do tanto que corre.. :)
Sobre o teu comentário, nunca diria que não estás bem, não fosse também eu assim..
Quem tem alma, sente.. quem tem alma, comove-se.. é o nosso amor às letras.. e sabes? Sinto o mesmo quando te leio, bem verdade..
Obrigada eu..
Um grande beijinho :)
Querida Gotinha,
ResponderEliminarFico tão feliz por teres gostado..
Espero que estejas bem..
Um grande beijinho a ti e ao teu manusko :)
Olá, Closet
ResponderEliminarDeveria ser sempre assim.. mas se vivermos esses momentos com toda a intensidade do mundo, a maior, o tempo pára mesmo.. o pior é depois, quando nos apercebemos que a vida continua lá fora e os relógios avançam no seu compasso apressado, não é?
Obrigada por passares..
Um beijinho :)
Porque tudo acaba, não é? Tudo o que começa tem um fim.. que fazer..? A vida é mesmo assim e o destino é uma incógnita..
ResponderEliminarObrigada.. esta semana, para não variar, estou em atraso com as visitas aos colegas da Fábrica e aos restantes amigos, por quem nutro um carinho imenso..
Um beijinho e boa semana :)
Memórias e momentos que nos são dados a conhecer daquela forma ímpar da tua escrita. Muitas outras Primaveras virão, querida mana, e com elas o renascer do teu belo sorriso.
ResponderEliminarBjinhos
Quem teve amores assim e a memória deles é feliz duas vezes.
ResponderEliminarCumprimentos
Minha querida ónix,
ResponderEliminarAs palavras de apreço que ficam por aqui são tão preciosas que já nem sei como agradecer..
Venha, então, a Primavera com amizades como as que por aqui se vão construindo..
Vocês ajudam-me a sorrir.. Adoro-vos!
Obrigada..
Beijinhos mil :)
Curioso.. nunca tinha pensado nisso..
ResponderEliminarProvavelmente, é mesmo verdade.. afinal, se vivemos um amor e o guardamos num baú de memórias inesquecíveis significa que, para além da felicidade que vivemos, voltamos a ser felizes ao revivê-la, recordando..
Cumprimentos
Olá Ametista! Depois destes comentários todos, fica pouco para dizer. As Primaveras assim são eternas, duram enquanto nos lembrarmos delas com um sorriso no rosto. Um beijinho.
ResponderEliminarObrigada, Cláudio..
ResponderEliminarMemórias que ficam guardadas num baú precioso..
Faltou a tua história sobre a Primavera.. fico à espera das tuas palavras para a imagem ternurenta que a Fábrica apresentou aos operários..
Um grande beijinho :)
A ternura do seu post indicia que voltou a ser feliz.
ResponderEliminarCumprimentos
Eu adoro a Primavera em que as flores desabrocham e os passarinhos cantam com mais alegria
ResponderEliminarSou uma desnaturada.. tropecei neste comentário, depois de tanto tempo.. ai eu
ResponderEliminarUm grande beijinho. Espero que estejas bem :)
P.S. E o vento que se faz sentir hoje? De loucos, não???
Não faz mal, deixa lá que tanto tempo e só agora estou a ver, mas os amigos ficam sempre no coração e no pensamento Espero que estejas bem.
ResponderEliminarBeijinhos