21 outubro, 2009

Um dia p'ra não esquecer

O dia da apresentação do livro


 



 


3 de Outubro de 2009, 10 da manhã.


 


Levantei-me, depois de um sono ansioso, sem saber muito bem a que planeta pertenço. Terra ou Marte?


Deambulei pela casa e senti o meu corpo tremer. É hoje. Olhei-me ao espelho e perguntei-me: É mesmo hoje? Meu Deus!


Olhei através da janela do quarto. O sol brilhava como num dia de Verão. O dia estava pura e simplesmente lindo.


Coragem, Leonor, coragem. Tu vais conseguir. Ouvia a voz de um anjo bem juntinho ao meu ombro que sussurrava: Calma...


O meu coração batia aceleradamente enquanto me preparava para agarrar o dia. Carpe Diem. Afinal, hoje é um dia especial e único na tua vida, miúda - disse-me o anjo.


Lembro-me que falei comigo mesma o tempo todo. Parecia um autêntico diálogo mas, afinal, quem estava ali era apenas e somente eu. Que belo monólogo, sem pés nem cabeça e sem espectadores.


Percorri a casa de trás para a frente e de frente para trás e no fim de me encontrar completamente preparada para sair, parei em frente à porta de entrada e enchi o peito de ar para depois o expirar, muito devagarinho. Ainda falta, pensei.


Mal tinha calçado os sapatos que tinha comprado de véspera e já começava a sentir uma ligeira dor nos pés. Tacão alto? Alto não, altíssimo! Nunca mais na vida. Não tarda, já não consigo andar. Agora tens de aguentar, Leonor.


Não me lembro de conduzir até casa da minha mãe. Foi como se o carro me levasse como que numa onda que rebenta velozmente.


 


 


3 de Outubro de 2009, 15 horas.


 


Tocou o telefone e atendi num ápice. Acho que gritei, não me lembro bem, e do outro lado soaram risos. A Helena da Autores Editora acabava de chegar à minha santa terrinha. Não se encontrava muito longe e, de tão querida que é, num instante encontrou o caminho para a casa da minha mãe. Demos um abraço há tanto esperado.


Apresentei-lhe a família, conversámos um pouco e tentou acalmar-me tal era o meu nervosismo.


Estávamos nós numa conversa animada e uma vez mais a Helena no seu melhor a ajudar-me a descontrair, o telefone voltou a tocar. Quem poderia ser? Não mais do que a Diana, minha querida amiga Maria das Quimeras e a Marta, a muito admirada Sonhandoaosquarenta, ambas perdidas no meio da cidade, quem sabe mais localizadas do que eu própria, muito mais perdida do que elas. Acho que a minha voz tremia enquanto tentava ensinar-lhes o caminho para a casa da minha mãe, mas atrapalhei-me toda e a minha irmã conseguiu salvar a situação (pensávamos nós). Esperámos por elas, mas escapou-se-lhes um pormenor importante e, depois de algum tempo de espera, já a Diana e a Marta se encontravam na direcção oposta e a caminho do local da festa.


Fomos ao seu encontro mas, às tantas, estávamos tão perto e não nos conseguíamos ver. Finalmente, lá nos avistámos e seguimos viagem em fila indiana até ao destino.


Parados os carros numa ladeira íngreme, fui ao encontro das minhas queridas amigas por entre braços abertos e um andar desengonçado.


Foi um momento bonito. Abraços, beijos e sorrisos.


 


 


3 de Outubro de 2009, 17 horas.


 


Encontrava-me ainda por detrás do balcão do bar a tirar uns cafezinhos para as convidadas especiais (a máquina fez um barulho esquisito e ainda pensei que íamos ficar sem café), quando começaram a aparecer alguns amigos e conhecidos, família e colegas de trabalho. Fui apanhada completamente desprevenida. Pensei que as pessoas começassem a  chegar um pouco mais tarde, mas foi puro engano meu. A surpresa foi grande e, ainda as manas andavam atarefadas a dar os últimos retoques no bar, já as pessoas começavam a instalar-se na esplanada. Acho que 'rosnei' a quem me ofereceu ajuda e quase me senti 'à beira de um ataque de nervos' antes de um discurso feito à base de agradecimentos e sem formalidades.


Queria estar em todo o lado. Com as amigas do blog, com a Gerente da Fábrica e com todos os que carinhosamente iam chegando. Mas impossível desdobrar-me e o tempo voou. Um bocadinho aqui, outro pedacinho ali e as palavras não me saíam, a não ser muito obrigada.


 


 


3 de Outubro de 2009, 20 horas.


 


Depois das pessoas começarem a dispersar permaneceu um grupo e, ao cair da noite, decidimos ir jantar a um restaurante que se encontrava ali perto. Deslocámo-nos até lá numa bela caminhada na mais perfeita harmonia.


Enquanto sentíamos o ar ameno de uma autêntica noite de Verão conversávamos, por entre sorrisos e gargalhadas, à porta do restaurante. Esperámos hora e meia, se não mais, para conseguirmos uma mesa vaga para doze pessoas. Juntaram-se as operárias da Fábrica e a sua Gerente. Falámos de nós e das inspirações, dos temas semanais, da produtividade e do atraso na entrega dos textos.


Foi um jantar divertido onde imperou a alegria e boa disposição, disparates saudáveis e bom humor, típico dos ribatejanos. Eu, refeita do estado de nervos, comecei a sentir-me meio 'abananada' e com pouca reacção.


Regressámos ao bar, aproveitámos o ar da noite e sentámo-nos em roda de uma mesa de amizade. Trocaram-se mails e endereços dos blogs, tiraram-se fotografias para recordar. Qual não foi o meu espanto quando se fez silêncio e começaram a cantar-me os parabéns. Esquecera-me por completo do dia que acabava de entrar e fiquei comovida com mais um gesto de carinho.


 


 


4 de Outubro de 2009, 1 da manhã.


 


Hora da despedida.


Saída do Ribatejo por parte de quem pertence à Estremadura. Demos abraços e beijos de despedida e o obrigada por tudo sempre presente. Ao vê-las partir, a saudade instalou-se de imediato.


Para quando um novo encontro? Talvez para breve...


 


 


P.S. E é que não foi mesmo? E como resultado do encontro, eu e a Marta começámos a fazer parte do blog No Estendal da Maria a convite da própria. Vão lá espreitar, vão!


É só rir!

11 comentários:

  1. Fantástica a descrição e bem real. Mas deixa 'tar que os nervos não foram só teus, yes?? Mas realmente foi um dia bem passado, o jantar foi bem animado e ficará para sempre na tua memória este dia... o dia do Sonho tornado realidade.
    Beijocas da impaciente que está farta de estar em casa.

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  2. Minha querida Ametista...

    Não consigo evitar a lagrimita, para lá do estendal, continuo a ser eu, sensivel e sonhadora até à raiz de minh'alma...
    Dia unico, por entre abraços, sorrisos, risos e alegria...
    Estava tão ansiosa por esse dia, para poder partilhar da tua felicidade, e não é que partilhei mesmo.
    Pouco seria a palavra gratidão para alcançar a tua GENTE que tão bem nos recebeu...
    Ribatejo em minh'alma para sempre

    ADORO-TE

    Caixinha de Sonhos para ti...

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  3. Para Breve Para Breve?
    A malta não si do ribatejo ... Nunca na vida pensei que uma apresentação de um livro tivesse um final assim tão diferente e feliz :-)
    Beijinhos

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  4. Acredita que nunca fiz o lançamento? Odeio estar exposto, embora desta vez vá mesmo estar presente no lançamento do meu próximo livro.
    Não quer passar pelo meu blog?
    Adorava tê-la presente, se possível, tal como à mana..
    Ainda não decidi que dia será. Avisá-la-ei atempadamente.
    Um beijo e rápido restabelecimento da mana

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  5. Hi, querida, um dia para nunca mais esquecer...
    Estou tão feliz por já estares melhorzinha...
    Não te apresses, porque o importante é que estejas a recuperar, tá?
    Um beijinho enorme, assim do tamanho do mundo

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  6. Minha querida Quimera,
    Obrigada eu por seres como és... fazeres parte da minha vida é tão importante, amiga...
    O dia já está guardadinho no baú das minhas melhores recordações...
    Ai o estendal... acho que não consigo corresponder lá muito bem às expectativas... enfim...
    Sintra no meu coração... até sempre...
    Nuvens branquinhas pa ti

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  7. As voltas que a vida dá, querida Martinha...
    Venham mais vezes, venham...
    Adorei ter-vos por cá... para sempre recordar...
    Beijinhos mil

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  8. É muita ansiedade, demais até... mas é um dia único... ficamos com aquela sensação estranha do tipo 'será que estou a sonhar?' ou 'realizei um sonho que pensava ser impossível'... e no final, ficam os momentos mais marcantes e que nunca se esquecerão...
    Passarei pelo 'teu' blog com todo o prazer... (por aqui não é permitido tratarmo-nos por você)
    Obrigada pela tua presença e pela preocupação com a mana que já está bem melhor... pregou-me cá um susto...
    Beijinho

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  9. Olá querida amiga! Obrigada pela tua presença sempre ao meu lado. Obrigada por seres quem és tb desejo-te tudo de bom como para mim e fico muito feliz de te ter conhecido. Amigos como tu são importantes. Obrigada. Deixo-te estrelas e doces coloridos e saboros para te deixarem feliz e adoçarem mais ainda a tua vida.

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  10. Querida Sindarin,
    Estarei sempre aqui, mesmo que um pouco ausente...
    Obrigada eu a ti, amiga...
    Envio-te flores campestres... muitas

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  11. Caro spectrum,
    Entrei, por diversas vezes, no teu blog e não consigo fazer comentários.
    Quero, desde já, enviar-te daqui um abraço de parabéns pelo livro e que esta nova etapa da tua vida te ofereça muitos sorrisos...
    Gostaria muito de adquirir um 'Sonhos Submersos'. Depois dizes-me como poderei fazê-lo?

    Até breve

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