(imagem retirada de: google imagens)
Querido futuro,
Hoje pensei que viesses, de noite, como tantas outras vezes. Mas voltei a embrulhar-me em sonhos vãos, perdi-me na utopia do amanhã e esqueci-me que a fantasia não passa disso mesmo.
Foi-me destinado o desencontro, aquele entre ti e o meu passado e estou para aqui, sem conseguir dormir, perdida num momento (in)temporal. As noites são longas em pensamentos, provavelmente ilusórios, e eu continuo a ser assim, sempre serei, aquela eterna sonhadora que eleva o coração nas madrugadas. Por perto, há uma alma que vagueia através de todos os sentidos. Acho que pensa que vai conseguir alcançar-te, para se encontrar comigo. Pobre alma.
Sempre de noite, quando tudo se cala e a vida desmaia. Talvez porque os fantasmas também choram, meio loucos e solitários, quando a escuridão estremece as ruas e os atalhos. No intervalo, entre ti e o passado, onde os silêncios se juntam e as ruínas dos dias deixam de nos assombrar pelas desilusões que nos comeram a vivacidade do corpo. Deves pensar 'discurso incoerente, este; pobre coitada, enlouqueceu'. Ai se soubesses dos sonhos das almas. Têm a voz dos segredos e, em confissões murmurantes, evocam passados delirantes. Consegues ouvi-las?
E assim vão ficando em ti pedaços de mim e da alma que me segue, passo a passo. Uns retalhos aqui, outros ali e tudo se transforma em desalinho. O vazio toma posse de tudo e derruba as palavras, varre-as como o vento leva a cinza dos caminhos. Porque, afinal, tu não existes. Como poderias, se ainda não vieste?
Sinto-me acorrentada ao passado, dispersa no presente, à beira do teu abismo. Querido futuro, se calhar é melhor não chegares.
Querida Leonor, que aconchego ler-te... "foi-me destinado o desencontro" :) e tanto me dizem estas palavras <3
ResponderEliminarSabes, acho que o passado, aquele que nos fica gravado em doces memórias (algumas até fantasiadas, mas foram parte de nós e do nosso passado), é mesmo assim, um aconchego, um calmante que tomamos quando o coração nos bate desassossegado. E o futuro... esse é pura ansiedade numa amalgama de dúvidas, um caminho por vezes coberto de nevoeiro. Mas é para lá que temos de ir , não há outro caminho querida amiga, e é aquela fé no passo que damos, a vontade e paixão que carregamos nas veias, que nos vai fazer chegar lá! Ao nosso lugar.
Um beijinho apertado
Closet
Minha querida Closet,
EliminarAté nos teus comentários és poema...
E tens razão no que dizes (é pura poesia). É rumo ao futuro que caminhamos mas sabes?, preferia ter ficado no passado. O presente é oco (para mim). Enfim, são fases e tudo passa...
Obrigada por entrares. Aqui na blogosfera há muita ausência :( Saudades dos anos das nossas histórias.
Olha, apercebi-me que desenhas :) Andei a espreitar os teus espaços 'novos' e vou voltar para 'passear' devagar. És artista, miúda, e grande!
Grande beijinho cheio de carinho