Não sei desprender as palavras. Não sei como fazê-las voar.
A minha imaginação perde-se na turbulência dos sentidos e as asas caem.
Quero escrever, escrever sofregamente, ondular as letras e deixá-las poisar nas páginas do meu livro branco, gastas pelo tempo.
Não consigo preencher este vazio. Preciso mergulhar nos rios da memória e emergir com versos cristalinos nas mãos, no corpo e na alma.
Não sei viver sem as histórias que inventei, sem os lugares misteriosos que desenhei, sem as personagens que criei e a quem dei vida.
Preciso de bosques e florestas, de cabanas e castelos, de fadas e feiticeiros. Preciso de árvores e flores campestres, de esconderijos e labirintos, de anjos e pássaros.
Preciso do silêncio que a doçura da fantasia me transporta. Preciso de magia.
A praia está para lá da serra que olho a cada fim de tarde. Não oiço o murmúrio do mar nas madrugadas e a minha inspiração desvanece. Desmaia o brilho das estrelas, a lua não é de prata e o céu já não tem mil cores.
Escapa-se a caneta por entre os meus dedos e deixo de ver a linha do horizonte. Tremo na perda de um sol rubro que se põe.
Preciso de areia nos pés, de água salgada na pele e de ondas nos meus cabelos para libertar as palavras.
Fica uma concha pintada na baía onde cabem todos os segredos e nenhum desperta.
Há uma gaivota que geme e sussurra tempestade. Quero viajar no seu embalo, enroscar-me no seu colo com as letras que trago.
Mas morro no cais, como uma pedra da calçada que se solta com o tumulto do vento norte.
As palavras? Morrem comigo, bem presas à minha alma.
Estas palavras não leva o vento!
ResponderEliminarUma grande realidade, são demasiadas as palavras contidas.
Espero que esteja tudo bem contigo
Bjinho e continuação de um grande verão!
Palavras que se sentem...
ResponderEliminarOlá Gostei muito das tuas palavras e aqui estou eu a dançar comelas uma valsa de ternura Por vezes sentimo-nos assim, vazios de palavras mas isso não nos impede de sentirmos aquilo que sentimos e de dizer ou escrever aquilo que sentimos. Podem não ser as melhores palavras, mas são certamente as palavras possíveis
ResponderEliminarBeijinhos e bom fim de semana
Ps : Beijinhos à Mana
Lamento a demora na resposta mas está na hora de voltar..
ResponderEliminarSei que tens um blog novo mas só espreitei.. é o tempo, o maldito, e se calhar uma daquelas fases em que a vontade de andar por aqui e ali não é grande.. desculpada?
Espero que estejas bem :)
Um beijinho
Ó José, bora regressar a este mundo..? Estas ausências fazem-me crer que é mesmo aqui que quero ficar..
ResponderEliminarUm grande beijinho azul :)
Sei que venho tarde, mas como mais vale tarde que nunca.. aqui estou. De regresso e com vontade de ficar (ai eu e as minhas fases de afastamento!).
ResponderEliminarEspero que estejas bem e deixo-te um grande beijinho e outro para a mana :)
Ora essa, onde não existe culpa tornasse impossível a desculpa.
ResponderEliminarE o tempo, esse maldito, hoje tá uma porcaria, a chover e tudo :D
Beijinho, e tudo de bom para ti
Que dizer perante que escreves?? Acho que não consigo comentar... apenas que adorei!
ResponderEliminarBjinhos e que sejas muito feliz neste teu sotão de palavras e segredos.
Obrigada, manuska..
EliminarEspero ser feliz por aqui.. mas acho que estou com um vírus no computador :(
Beijinhooooooos
Possuir um sótão cor de rosa e um baú mágico é privilégio raro.
ResponderEliminarO baú liberta a fantasia e os sonhos de outros mundos.
Já nos conhecemos em ametista. Encerrei o blogue artesão ocioso mas não foi por causa da crise: já não tenho capacidade para ter a porta aberta.
Pimenta e ouro é uma sombra de artesão.
A vida é assim.
Abraço.
Fico triste por senti-lo assim.. triste. Também estou. A saúde tem-me faltado. Espero que o artesão regresse. Não se sinta uma sombra do mesmo.
EliminarMas é verdade. A vida é assim e não há nada a fazer contra isso.
Espero que fique bem.
Um abraço grande
Artesão já não existe, hoje sou uma sombra dele.
EliminarVou entretendo-me enquanto a saúde o permitir.
Dersejo as suas melhoras.
Um abraço.