Um dia, quero morrer contigo.
Quando subires aos céus e chegares às estrelas, perto do sol e da lua, quero estar a teu lado para, finalmente, renascer.
Hoje a minha alma jaz na velha casa em ruínas, outrora nossa, o meu corpo vagueia pelas ombreiras das portas. As janelas batem nos parapeitos com o vento que sopra voraz, das prateleiras empoeiradas caem os livros antigos que lemos, são iguais às nossas vidas. Há folhas que se soltam do diário da nossa história, espalham-se pelo chão que range a cada passo que dou. É como as horas dos dias que nos pertenceram, perderam-se num momento intemporal.
E eu abandono-me. Abandono-me silenciosamente, fujo do passado em direcção incerta, alcanço o barco onde navegámos sem rumo e que morre agora em terra firme depois da procura de um rio que corre turvo. Não consigo tocar nas suas águas, parecem bolas de neve que se desfazem ao passar.
Recuso-me respirar, suspiro como que pela última vez, sinto-me perto do que não cheguei a conquistar. Onde ficaste, alma que se perdeu por atalhos obscuros, em estradas sem saída? Até no final se repete o desencontro, o nosso, como duas sombras que se cruzam, desconhecidas.
Apagam-se as luzes, desvanecem as cores, tudo se torna escuro e tu ficas fantasma da velha casa. Eu, parto solitária no instante em que te esqueço e caminho numa nuvem que desceu à terra.
Por enquanto, estou viva.
Estaremos vivos enquanto o Amor viver em nós :)
ResponderEliminarLindo como sempre, minha querida Leonor.
Beijo enorme
As memorias são uma coisa estranha...
ResponderEliminarUm abraço
Ah! Folgo em saber que foste de férias, mas aprecio muito mais este teu regresso :)
Ainda é muito cedo para partir, mais sonhos virão com melhores memórias.
ResponderEliminarA memória é o reencontro com o passado... como o vemos hoje.
A prosa poética de sempre.
Abraço.
Obrigada, Natacha :)
ResponderEliminarBeijo grande para ti
Obrigada :)
ResponderEliminarE as memórias e tudo o que as envolve são mesmo um mistério..
Um abraço grande
Obrigada, amigo João.
ResponderEliminarPor vezes, as memórias tornam-se dolorosas..
Um abraço
Querida Ametista, fiquei parada com a primeira frase do teu texto "Um dia, quero morrer contigo", atingiu-me assim como uma flecha. É tão... forte. Talvez a frase mais forte que já li. E senti mais do que as memórias, senti e impotência da perda, em como nos perdemos uns dos outros, como se morrêssemos nesse afastamento a que nos abandonamos solitários. Estou a divagar, mas entrei pela tua velha casa dentro!
ResponderEliminarGosto imenso de te ler. Um beijinho grande!
Olá amiga Como sempre gostei muito das tuas palavras,apesar de um pouco tristes, mas a vida é mesmo assim, um pouco triste, mas também tem coisas fabulosas como os nossos sentimentos
ResponderEliminarBeijinhos
Um texto de grande intensidade poética. Resnasce-se nas memórias, no presente e no futuro. Renasce-se em cada dia e desejo todos os renascimentos em 2012.
ResponderEliminarabraço
E estar vivo é a maior de todas as bênçãos, com tudo de bom e de mau que isso possa implicar ;) A tua escrita, como sempre, maravilhosa. Um beijinho grande, Ametista…
ResponderEliminarQuerida closet, ando um bocado longe das nossas paragens mas, como mais vale tarde que nunca, aqui estou para agradecer a tua presença sempre constante e as palavras que me deixas, sempre doces :)
ResponderEliminarUm grande beijinho
Olá, amigo. Desculpa o atraso na resposta. Ai o tempo (ou a falta dele).. enfim, que fazer..?
ResponderEliminarObrigada :)
Obrigada e peço, desde já, desculpa pelo atraso na resposta mas tem sido difícil gerir o tempo.
ResponderEliminarEspero renascimentos, essencialmente nas letras.. desejo-lhe felicidades para este ano que se adivinha difícil.. vamos dar volta à crise, certo?
Um abraço
Querido Cláudio, ver o sol nascer e pôr-se a cada dia é o maior privilégio de todos :)
ResponderEliminarObrigada pela visita. Já fui espreitar o teu cantinho e gostei muito da mudança no rosto. Tenho de lá voltar para te ler devagarinho e deixar uma palavrinha..
Um grande beijinho
Não precisa pedir desculpa, porque a resposta não é obrigatória, nem tem prazo de validade. Claro que vamos dar a volta, nem pode ser de outra maneira.
ResponderEliminarabraço
Olá Espero que esteja tudo muito bem contigo O tempo pode faltar, mas a amizade mantém-se sempre com muita chama
ResponderEliminarBeijinhos
Bateu forte o coração ao ler as tuas palavras com imensa carga dramática mas ao mesmo tempo tão maravilhosas. Explicação para tal? Não há...as tuas palavras sobrepõem-se a tudo.
ResponderEliminarAbraço
Exagerada, maninha.. não?
ResponderEliminarObrigada..
:)