20 novembro, 2009

Perguntas sem resposta ou o Mistério da Vida

 


Tantas vezes gostaríamos de voltar atrás e trazer os tempos de outrora connosco, mas não podemos mudar o curso da vida. Insistimos em voltar ao passado, porque nos é difícil interiorizar que não conseguimos voltar a viver o que não se repete nem podemos alterar o que gostaríamos que tivesse sido diferente. Porque, efectivamente, existem coisas impossíveis e essa é uma delas.


Mas, por vezes, os nossos sentidos estão acima da prudência e mergulhamos num turbilhão de emoções difíceis de conter. Rumamos em direcção ao que não queremos para nós, porque o que nos invade é o medo de que o amanhã não exista. Neste caso, é preferível parar do que dar um salto para o desconhecido.


É querermos viver o momento e desejarmos que o tempo pare a todo o custo, não importa se é certo ou errado, tamanha é a entrega. O relógio continua no seu compasso apressado, mas o mundo lá fora deixa de existir. Porque é nessa prisão que se liberta um coração e o resto não interessa.


E queremos que tudo volte a acontecer para vivermos os mesmos sentidos, da mesma forma. É a intensidade dos momentos que nos marcam para sempre e deixam saudade. E tudo se repete na nossa memória, porque agora já não estamos no mesmo lugar. Mas, tantas vezes, voltamos lá para (re)viver tudo outra vez.


Queríamos nós que a razão falasse mais alto, mas ainda há corações que continuam a bater acelerada e descompassadamente. Gostaríamos que eles batessem de uma forma regular, mas quem consegue controlar sentimentos mais fortes?


Não falo apenas de amor, mas também de amizades, afinidades. Falo de perdas, de ilusões, esperanças e desilusões num universo de almas que se vão cruzando ao longo dos tempos. E de uma estranha forma vemos os anos correr, sentimos o tempo escassear. O passado deixa de ser o ontem, o presente já não é o hoje e o futuro faz parte dos dias que não temos a certeza se vão chegar. Dizemos adeus a quem viaja para parte incerta sem sabermos se vai voltar, há palavras que deixamos por dizer a quem partiu sem deixar rasto. Ouvimos notícias menos boas de quem já não está por perto, observamos pessoas lutarem contra uma doença que surgiu sem avisar, outras que desistem de viver a cada dia. Assistimos a vidas que se extinguem, umas por tragédias incompreensíveis outras, dizem, pela lei que a natureza obriga. E perguntamo-nos porquê.


Posso dizer que vou andando, passo a passo, por esta ponte que me deixa admirar um rio que é sereno porque, por enquanto, a vida me permite fazê-lo. E continuo a sonhar e a tentar acreditar num amanhã melhor e, mesmo sabendo que muitos desejos não passam de utopia pura, prossigo nesta minha luta imaginária. Não sei se ainda me encontro a meio da ponte, mas vou tentar seguir para a outra margem o mais rápido que puder. Tenho de conseguir. Preciso urgentemente de mergulhar nas águas de um rio que transborda de esperança.


Os porquês e as dúvidas, as incertezas que me acompanham nas horas e a resposta que teima em não surgir. E fico assim, sem perceber a razão dos encontros e desencontros, das almas que se ausentam, da espera por um regresso que não chega, das vidas que se perdem, das esperanças que vão morrendo pouco a pouco. E tudo se mantém, neste ponto de interrogação.


Acredito que as coisas não acontecem por acaso e sinto que o que ficar por resolver nesta vida, resolver-se-á noutro lugar. Porque tem de haver uma resposta, tem de existir uma explicação para este mistério.


Há tanto para dizer, tantas ideias que divergem, opiniões discordantes e, ao mesmo tempo, tantas palavras que se trocam na mais perfeita harmonia. Mas a realidade é esta, a que vivemos, longe ou perto de um passado que não se repete e de um futuro incerto. Para quando a resposta a tudo o que não conhecemos e não sabemos nem conseguimos compreender?


Um dia, talvez...? Cabe ao destino decidir.


 

12 comentários:

  1. recordar as memórias e regressar ao passado é uma incontornabilidade..
    Beijinhos.

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  2. Gostei muito deste teu post . Parabéns

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  3. Fico sempre sem palavras quando te leio... fascinante a tua maneira de escrever.És escritora, miúda. Ninguém pode negar.
    Abraço

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  4. Desabafos, dúvidas, certo?
    Sabes? Li e senti que estavas apressada a escrever, como se tivesses medo de te esquecer ou que por algum motivo não o conseguisses fazer?!
    Estranho...
    Dei comigo a correr atrás das tuas palavras. Pareces preocupada.
    Espero que o momento de ansiedade passe e a tranquilidade se apodere de ti.
    Beijinho

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  5. Difícil evitar, principalmente quando olhamos para trás e verificamos que a vida dá voltas inimagináveis e que o sofrimento vai entrando, de uma ou outra forma, em famílias com dificuldades onde, outrora, tudo era tão normal... sem problemas de maior, para além daqueles que nos são comuns...
    Refiro-me, neste caso, a doenças que entram subitamente na vida de uma pessoa e assolam tudo...
    Agora, fiquei sem mais palavras...
    Obrigada por ires sempre passando por aqui...

    Beijinho

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  6. Obrigada, Caravagio...
    Volta sempre que te apetecer...
    Até breve

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  7. Eu não queria ter escrito nada disto, mas estava com um nó na garganta e quis deixar o desabafo...
    Obrigada, querida mana...
    Adoro-te, pura e simples

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  8. Sim... um desabafo, sem dúvida... apressado, talvez...
    Preocupada? Também...
    Há casos de vida que me preocupam realmente e custa-me não poder nem conseguir ajudar para que tudo volte a ser como antes...
    A esperança é a última a morrer... será?
    Obrigada, querida Flor...

    Beijinho enorme

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  9. Minha querida Amiga ...

    O que somos senão fragmentos de um rio que corre sem se deter... passamos por entre paisagens, pedras, turbilhões, noites de luar, dias de chuva e outros de sol ...
    Todos parte de um mesmo leito ... onde uns passam rapidamente ... outros lentamente ... e ainda há os que sempre nos acompanharão...
    Mudam-se cursos de vida ... mudam-se desejos ... porém voltar para trás é sempre impossivel, fica-nos somente aquele aroma daquele tempo em que o rio... correu lentamente em fragmentos de outros unidos em nós ...
    A tua escrita, a tua alma ... Tu encantas ...
    Sente o meu abraço pois é como se ai estivesse e era por aí que queria estar ....

    Adoro-te ...

    P.S. está lindo o blog .... mais parecido contigo .... colorido e divertido

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  10. Minha querida Quimera,
    Deixas-me sempre aquele carinho especial por entre a beleza das tuas palavras...
    O que somos, senão pedaços do que fomos e do que a vida fez de nós...
    Obrigada, amiga da minh'alma...

    Consigo sentir o teu abraço e retribuo-to com pedacinhos de lua, para que haja sempre luz no teu caminho...

    P.S. Hi, gostaste do blog? Mas posso dizer-te que penso que ainda não é assim que vai ficar... apre!!!

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  11. foi um prazer ler este teu desabafo tão sentido e tão parte de qualquer um de nós
    as perguntas , as respostas , os porquês , o certo e o incerto
    duvidas que em nos persistem e que ao contrario do tempo nem sempre seguem um rumo natural e desenvolto que obviamente nos trariam respostas aclarando os nossos pensares e preocupações
    demasiadas ideias vagas que nos povoam a alma
    como que se para as clarificar tivéssemos que atravessar e enfrentar um denso nevoeiro ao qual nem sempre o nosso físico se sente preparado para tal
    e então muitas e tantas vezes , paramos no tempo sem saber se rimos ou choramos pela incerteza da influencia que isso poderá ter no nosso amanhã, e é ai que no fundo de nos mesmos , as lembranças , as recordações , os pedaços de tempo vividos nos vem a memoria como que tentando nos iluminar um caminho .... mas também ai reside o segredo essa luz que procuramos e que esta aqui para nos iluminar esta na essência de casa lembrança, recordação e cada pedaço de tempo , e não no seu todo ou repetição pratica
    deles devemos absorver o seu essencial de forma a que no hoje e no amanha com o melhor que deles retiramos possamos encontrar um equilíbrio necessário para não ter que voltar a enfrentar este nevoeiro , quem o consegue , consegue a harmonia entre o passado e o presente e será ela que na estrada do destino te ira presentear dias melhores , sejam eles como forem , nunca esqueças irão se guiar pelo equilíbrio que encontrares em ti mesma
    as perguntas , as respostas , o certo e o incerto são a essência que dão vida ao teu ser, sem elas não terias se quer necessidade de pensar de chorar, de rir ou de amar


    beijo cúmplice :)


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  12. Quando li as palavras que me deixaste, senti-me de tal forma comovida que fiquei sem saber o que responder... Deixo-te apenas e somente o meu muito obrigada pela verdade que aqui deixas expressa de uma forma tão bonita...

    Beijinho lunar

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