01 abril, 2009

Mar Nosso

Foste o meu verão, foste o meu agosto, apesar de nada mais do que palavras. Findou o agosto e perdeu-se a magia de nós. O setembro trouxe consigo a desilusão e o outono chegou com o sonho perdido no tempo. Naquele fim de agosto, no seu último dia, levei nas minhas mãos as tuas palavras e entreguei-as ao mar embrulhadas na areia. Levou-as com ele, mas não regressaram.


E naufraguei na minha perda de ti. Disse adeus ao mar e beijei a areia com a tua ausência. Ficaram pedaços de memórias, de pequenos mas tão grandes momentos.


Mas continuei a sonhar. Voei contigo entre o céu e o mar, sentimos o cheiro do horizonte, descobrimos a sua cor. Inventámos juntos aquela dança de amar e no nosso voo fomos livres, através dos tempos.


Sentei-me num rochedo e permaneci à espera. Esperei que a magia nos sustivesse sobre o mar e tornasse real a nossa liberdade para voar.


Mas não houve tempo para ti e para mim e ficou por descobrir a nossa dança na praia.


Agora, queria apenas que o destino me deixasse ficar junto do mar, trilhar areias, acordar e adormecer ao som das ondas, contemplar o amanhecer, o entardecer, absorver o anoitecer.


Hoje, gostaria que a vida me deixasse fazer do sol meu protector e da lua minha confidente, acordar de alma apaziguada e adormecer serena, aquietada.


Queria que o tempo me deixasse respirar oceanos, mergulhar nas suas águas, envolver-me nessa essência majestosa.


Aí, sim. Nesse lugar, sentiria a plena liberdade...


 


 


(Texto fictício, baseado na minha poesia, para a Fábrica de Histórias)


 

10 comentários:

  1. Maravilhosamente bem escrito... impossível ficar indiferente à maneira como enleias as palavras... e fico embasbacada sempre que te leio. E que amanhã sorrias ainda com mais vontade...sabes ao que me refiro.Que o mar te traga conforto e apazigue o enorme coração que tens!
    Beijo grande

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  2. Minha querida Ónix,
    Aquele muito obrigada que se vai repetindo...
    A força que me dás é inigualável...
    Adoro-te, mana

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  3. Consegues fazer com que o mar te escute, para também ele te poder falar...
    Não sei se sabes, mas tu não escreves...tu encantas.
    (Ainda vou ter um livrinho autografado, só para mim...)
    Beijinho grande... muito grande...enorme.

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  4. Fico comovida com as tuas palavras carinhosas... e sorrio contigo...
    O livrinho...? Se o destino quiser...
    Beijinho igualmente grande... muito grande... enorme, querido José...

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  5. Olá amiga! mto obrigada o teu texto está lindo. Eu hoje só queria mesmo se pudesse deixar-me embalar pelo mar ou k me beijasse os pés...mas ñ posso. Huje ñ sou boa companhia, mas agradeço-te de coração a visita. Um beijinho amigo.

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  6. Muito obrigada...
    Só o mar para nos fazer embarcar num estado de alma ondulante...
    Desejo que o amanhã te faça sorrir...
    Beijinho amigo pa ti também

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  7. Querida Ametista...

    Se o Mar e o (A)Mar fossem letras naufragas de um livro, teria sido escrito por ti, sem dúvida.
    E os que sentem como tu serão eternamente livres, por entre ondas vacilantes, raios de luar e estrelas brilhantes... quem não souber entender essa verdade ... não merece a viagem ao sabor das ondas.
    Concordo com o amigo José ... eu tambem quero um exemplar autografado.
    E o mar perante ti sentiu-se pequeno...

    Hoje Sintra ABRAÇA o Ribatejo

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  8. Damos as mãos sentadas na areia... emerge uma amizade que canta com as gaivotas que sobrevoam a beira-mar... o mar vem até nós para nos beijar e eleva-se o nosso sentir... é um cântico que nasce de um abraço...
    Somos nós...
    Simplesmente obrigada por fazeres parte da minha vida, querida Quimera...
    O Ribatejo acaba de sorrir para Sintra...

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  9. Ficamos em silêncio, perdidas pela imensidão do que diante de nós se apresenta, a ausência das palavras revela a cumplicidade partilhada, os diálogos subtituidos por sorrisos, por olhares que entendem o que nunca poderá ser escrito.

    E nascem planicies em Sintra e erguem-se serras no Ribatejo ...

    A tua amizade e ternura elevam-me a alma ao Palácio da Pena, aquele lugar cheio de cor, tão especial onde o céu fica mais perto...

    Todas estas flores que crescem junto da minha casa, guardo-as para ti...

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  10. Há um canteiro que floresce no castelo da minha cidade...
    O aroma das flores fortalece a cumplicidade de duas almas que sobrevoam a beleza do estar vivo...
    Retribuo as flores... e ofereço-te as que brilham no quintal da minha mãe...

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