08 fevereiro, 2009

'Mea culpa'

 


Os nomes mencionados nesta história são fictícios. A história é apenas baseada em alguns e pequenos factos reais. A Laura sabe que escrevi esta história para publicar aqui. O Duarte não sabe que eu tenho um blog.


 


A minha amiga Laura perdeu um amigo a semana passada. Perdeu-o porque declarou-se, através daquela palavra que nunca se deve revelar a um homem que não corresponde com o mesmo sentimento. Muito menos declarar essa palavrinha especial a um amigo. O 'Amo-te', sabem?


Sei que esperou quase dois anos, sempre na esperança de ouvir da parte do Duarte a dita palavra, destruidora de qualquer amizade superficial. Sim, porque lá no fundo, a Laura era mais amiga do Duarte do que o Duarte da Laura. Isto porque ela sempre lhe demonstrou a amizade que nutria por ele, ao contrário dele, que só quando lhe era 'conveniente' telefonava ou mandava mensagens sem parar. A Laura, sempre preocupada, tinha a todo e qualquer momento uma palavra de carinho ou conforto para com ele. Se bem que estavam sempre a discutir por tudo e por nada, que até enervava. Uma amizade surreal, diga-se de passagem. Ou uma adoração mútua fora do vulgar, a meu ver. Porque os verdadeiros amigos não discutem assim.


Sabem o que é que eu acho? Que não valeu a pena um amor tão grande, sentido por uma só parte. Um amor pela metade, eu diria. E a razão é óbvia, pelo menos para mim que sei da história. Há muito tempo que se conheciam e há dois anos reencontraram-se, por mero acaso ou por força do destino, e começaram a comunicar-se por telemóvel  todos os dias e a toda a hora. Isto durante meses e meses. Mas nunca estavam juntos. Raramente ou nunca conversavam em presença física. Quando se encontravam, era um abracinho para aqui e umas piadinhas para ali, umas com e outras sem graça nenhuma. Depois, e porque estavam sempre a discutir, as mensagens passaram a ser só de vez em quando. A seguir, raramente ou nunca. E pronto, deu nisto.


A Laura é uma pessoa extremamente sincera e isso custou-lhe uma amizade. Porque, no final, mandou-lhe umas mensagens via mail um tanto ou quanto precipitadas e não sei se até um pouco ridículas no ponto de vista do Duarte. Isto, na tentativa de lutar pelo amor dele. Acontece que apanhou-o numa fase problemática e ele não aceitou as ditas mensagens tendo, inclusivamente, dito umas quantas coisas à Laura que a magoaram bastante. E por isso e por outras coisas que tais, deixaram de fazer parte da vida um do outro. Definitiva e estupidamente. Por uma palavra. Aquela. O 'amo-te'.


A Laura perdeu um amor impossível. O Duarte perdeu uma amiga. Porque, e digo-vos muito sinceramente, aquela amizade não era real, não existia. Não no verdadeiro sentido da palavra. Talvez fosse apenas uma ligação invulgarmente estranha. Pura fantasia da Laura.


Lamento muito por ela, porque é uma verdadeira amiga. Apesar de eu gostar do Duarte, não lamento por ele, porque ainda ontem me cruzei com sua excelência na rua e encontrava-se feliz da vida. Não me parece que a perda da Laura o tenha abalado. Não, aparentemente.


Não me esqueço da expressão que ela utilizou, quando finalizou este triste episódio:


 


- Mea culpa. Mea maxima culpa - disse, lavada em lágrimas.


 

11 comentários:

  1. Olá amiga,
    triste realidade.
    A sua culpa por simplesmente o amar.
    Sem provas da amor reciprocas, nunca
    poderia ser feliz.
    a vida é assim mesmo, tanto aproxima quando é para se aproximar, como afasta quando não dá mesmo.

    O Amor Verdadeiro não passa a vida a discutir, a magoar, pelo contrario Ele
    tenta conversar e nunca magoar se por acaso o fizer é sempre sem querer e há sempre uma palavras de desculpa.

    Amor é produtivo não destrutivo.

    uma boa semana para ti.
    Bjhinos

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  2. Olá, immca
    Espero que estejas bem.
    O amor na sua verdadeira essência praticamente já não existe. Pelo menos, e ao que os meus olhos vêem, os sentimentos andam desencontrados por aí.
    Quem ama verdadeiramente dedica-se inteiramente a uma amizade ilusória e, no final, fica a prova de que a mesma não era recíproca. Nem a amizade, nem o amor, nem nada.
    Mas há quem seja forte e consiga ultrapassar uma 'intempérie' desta natureza. Se bem que a minha amiga Laura está a sofrer, sei que a cada dia que passa a dor vai atenuando. Mas fica a marca e o voltar a amar ou a acreditar em alguém, será difícil.
    O tempo encarregar-se-á de a fazer voltar a sorrir como dantes. Somos grandes amigas e isso é uma ajuda preciosa, porque amigos verdadeiros são difíceis de encontrar.
    O amor? Dizes bem. Produz, não destrói. Constrói-se de gestos saudáveis e atitudes dignas, não de palavras amargas.
    Obrigada por teres passado por aqui e desculpa o meu testamento. Sabes que aqui podemos conversar, conseguimos ser 'ouvidos' e há sempre uma palavra de conforto por parte de quem nos lê.
    Uma boa semana para ti também.
    Beijinhos

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  3. Complicada, esta história de amor e desamor... com certeza o tempo irá apaziguar a frieza do Duarte e quem sabe se voltam a ter uma amizade mais forte que a anterior...só o tempo o dirá e do futuro, ninguém sabe!
    Bjocas

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  4. Não sei, minha querida amiga Ónix.
    Sabes que mesmo que o Duarte ponha essa sua frieza de lado, a Laura está demasiado magoada para esquecer. E nunca se vão entender. Se bem conheço os dois, nada mais vai ser possível.
    Mas tenho pena, sabes? O Duarte é o príncipe encantado da Laura e ele, se bem sei, era 'apanhadinho' por ela na sua adolescência.
    Sinceramente, acho que eram feitos um para o outro.
    Outra coisa... sabes que tenho andado a convencer a Laura a criar um blog? Mas acho que não consigo convencê-la. Ela não é nada destas coisas... tenho pena. Podia ser tão giro...
    Bjux, manuska

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  5. Control Freak08/02/09, 20:28

    Não conheço a Laura mas digo-te já que gabo muito a sua coragem e força. Quem é que, como ela, apesar da distância, permanece há tanto tempo encantada e dedica tanto de si a outra pessoa? Gabo-lhe a sinceridade e a coragem de ter sido frontal e sincera com o Duarte.

    Infelizmente saiu-lhe na rifa um Duarte. Tenho pena dele... Por não saber que a amizade dela é das mais verdadeiras que ele alguma vez terá... Por não saber respeitar quem o admira... Por se dar ao luxo de desprezar uma verdadeira amiga... É ele quem fica a perder!

    Laura, depois deste episódio fortalece-te, aprende e ergue a cabeça. Se alguém foi decente e bonita foste tu. Não te conheço mas vou torcer para que sejas feliz, que te admires a ti própria e que mantenhas sempre a tua dignidade. Não há sentimento algum que justifique o esquecimento da nossa felicidade, do nosso bem estar psíquico, do nosso amor próprio.

    Obrigada ametista pelas tuas palavras bonitas de amizade.
    Beijinhos para as duas,
    ninana

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  6. Querida ninana,
    A Laura sofreu muito com a ligação que tinha com o Duarte. Precisamente pela distância, pela ausência. Mas sempre quis acreditar que as coisas iriam mudar um dia. E esperou e voltou a esperar. E declarou-se. E tudo mudou, mas de forma inversa. O Duarte é uma pessoa directa, qualidade que admiro bastante, mas as palavras que dirige e as atitudes que toma deixam mágoa.
    A Laura merece ser feliz, não só pela grande amiga que é, mas também por ser uma pessoa fantasticamente genuína. Tenho muito orgulho em ter uma amiga assim.
    Quando ela ler as tuas palavras, vai ficar sensibilizada com o teu sentir.
    Obrigada, ninana, em nome da Laura.
    Em meu nome, obrigada por estares aqui e deixares a tua sensibilidade em palavras assim...
    Beijinho meu e, antecipadamente, da Laura.

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  7. watermeloncolya09/02/09, 00:38

    Li o texto, reli o texto, voltei a ler o texto... queria arranjar palavras de apreço para a personagem visada do texto, mas não consigo. Não sei a historia não conheço as personagens e como sou individuo de ouvir ambas as partes para poder tirar uma conclusão correcta… aqui não o posso fazer, posso sim dizer que ninguém, mas ninguém merece ser gozado(a) pelos seus sentimentos, pelos seus amores mesmo não correspondidos. Uma amizade constrói-se com cumplicidade e a aceitar virtudes e defeitos dos mesmos, se isso não acontece por favor não derramem lágrimas por quem não merece, ergam-se e superem. E hoje não estou melancólico.

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  8. Obrigada pela Laura, meu querido...
    Sabes que faltam alguns factos importantes no texto, mas achei que não deveria alongá-lo mais.
    Posso dizer-te que o Duarte, quando reencontrou a Laura, confessou-lhe que a adorava desde a sua adolescência e o 'adoro-te' foi palavra constante e diária nas suas mensagens. Por isso, digo no texto que era uma adoração mútua fora do vulgar. Mas uns meses depois, essa palavra deixou de ser dita. Sem quê nem porquê.
    E depois de uma amizade que parecia real à Laura (porque dirigiam-se um ao outro como se dois irmãos se tratassem), o Duarte começou a 'afastar-se'. A ausência das mensagens. A frieza nas palavras. Será que realmente a adorava? Ou era-lhe conveniente? Quando a Laura me conta certas e determinadas coisas, acho que foram certos entraves da vida que causaram a atitude do Duarte. Mas, mesmo assim, não consigo compreender e não se justifica. Deve ter-se arrependido de tudo o que disse no início, não sei.
    A Laura esperou tanto tempo, que resolveu conquistar o Duarte com uma mensagem de amor puro. Já não tinha nada a perder. Mas perdeu. O 'amo-te' nunca deveria ter interferido na amizade deles. Há que dialogar e tentar remediar as situações.
    Agora, são dois desconhecidos.
    É triste, não é?
    Digo tudo isto com o consentimento da Laura, porque afinal o nome dela não é esse, assim como o dele também não é. E como já disse, faltam factos no texto.
    Obrigada e digo-te que raras são as pessoas que agem ou pensam como nós.
    Beijinho grande para ti de mim e em nome da Laura

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  9. Assim entendes bem o que escrevi no meu post. Garanto-te que é muito complicado e ficam sentimentos para sempre. Por vezes a Amizade e o Amor unem-se de uma forma que nos deixam completamente perdidos.

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  10. Sim, José. Compreendo.
    Mas se a amizade for verdadeira, prevalece. Podemos sofrer e dificilmente esquecer quem amamos. Mas o tempo ajuda a minorar o sentimento.
    Pior que perder um amor é perder uma amizade.
    Beijinho

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  11. Vai tu.
    E o de ir às lágrimas é mesmo uma porca miséria.
    Não estavas à espera que te desse razão, pois não? Olha, mas dei.
    Não existem amores impossíveis? Pois não. E nesta porca miséria, tu também não existes na impossibilidade de seres provinciano.
    Adeus, ó vai-te embora.

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