Teresa e António eram vendedores de rua e viviam numa caravana, onde criavam peças de artesanato cujo resultado final era perfeito.
De verão, armavam a banca em cada praia do litoral alentejano. No inverno, qualquer cidadezinha do interior era cenário para a venda dos seus trabalhos.
António era alto, moreno e bem constituído, bonito e de olhos claros. Teresa era de uma beleza invulgar, não fossem os seus traços orientais em conjunto com os cabelos longos e olhos negros.
Sempre de bem com a vida, eram dois jovens sonhadores e lutadores.
Descalços e com trajes de linho, caminharam até à praia e sentaram-se na areia naquele fim de tarde soalheiro.
- Acreditas no destino, amor da minha vida? - perguntou ela a olhar para o mar.
- Não, meu amor. Acredito que somos nós que traçamos o próprio destino - respondeu ele com ternura.
- Pois eu creio que tudo tem um significado.
- É a vida que nos concede o direito de escolha. Para mim, esse é o significado de estarmos aqui.
- Não acreditas, então, que tudo nos é destinado. Sejam coisas boas ou menos boas.
- Acredito que nós é que escolhemos o caminho para alcançá-las, independentemente se são para o bem ou para o mal.
- Não achas que há uma força superior que nos faz tomar certas e determinadas decisões?
- Não creio. Acredito, sim, que as nossas decisões são fruto do que pensamos e sentimos.
- Mas nem sempre o que sentimos é o que queremos para nós.
- Por isso mesmo temos aquelas fases de turbilhão, onde se misturam os sentimentos, o que queremos e não queremos e o que pensamos que devemos ou não fazer.
- Tens razão, meu querido. Mas eu penso que tudo isso vem por força do destino. É ele que faz com que sigamos por este ou por aquele caminho.
- Aceito a tua opinião e compreendo o teu sentir, mas não estou de acordo. Nós escolhemos a estrada a percorrer, seja certa ou errada.
- Eu respeito a tua forma de pensar, mas... - Teresa hesitou.
- Mas...? Fala, meu amor - António olhou para ela com carinho.
- Acreditas que nos cruzámos por acaso?
- Não por acaso, mas ficámos juntos porque nós quisemos e não por decisão do destino.
- Então se concordas que não foi por acaso, é porque acreditas em algo...
- Acredito em nós e na vida a que nos propusemos.
- Mas a nossa vida a dois foi um salto para uma aventura sem limites...
- Um acaso desmedido e inconsequente, mas com um final feliz.
- Há uma razão muito forte para tudo o que vivemos.
- Essa razão somos nós. Aquela que criámos a dois como se fossemos um só.
- Verdade. O que somos hoje é fruto de tudo o que partilhámos até aqui.
- Tudo o que partilhámos e tudo o que conseguimos construir juntos.
- Mas eu estou a falar de destino.
- E não foi esse o nosso destino? O que construímos para nós? Somos nós, então, a própria força desse destino em que tanto acreditas.
- Acredito plenamente que a nossa passagem por esta vida é uma continuação de outras tantas que já tivemos.
- Engano teu, no meu ponto de vista. A vida é somente e apenas uma.
- Para ti, meu amor.
- Para mim, sim. A teu ver, vivemos noutras épocas e temos mais vidas por viver... - António sorriu.
- Eu creio que quando nos cruzamos com alguém especial, é porque ficou alguma coisa por resolver entre ambos noutros tempos.
- Pura ilusão, a tua.
- Acredito que quando tudo acaba, tudo recomeça...
- Desculpa, amor da minha vida, mas admira a beleza que se nos depara neste momento... - António apontou em direcção ao horizonte.
- Meu amor, é o pôr do sol...
(Texto fictício escrito para a Fábrica de Histórias)
Tocante e magnífico, este diálogo. Faz-nos meditar, minha querida. Beijinhos para ti
ResponderEliminarO destino... o estarmos aqui... o existirmos... o mistério da vida...
ResponderEliminarObrigada, minha querida Ónix
gostei.... e gosto mais do blog assim.. beijos grandes para ti linda
ResponderEliminarObrigada, meu querido...
ResponderEliminarSabes que este meu cantinho estava a precisar de alegria nas cores... porque dá brilho e faz a alma sorrir...
O azul é a cor do mar...
Beijo muito grande pa ti também, lindo